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O Altruísta de Máscara

 

O Altruísta de Máscara
Mais do que posso  controlar, tenho tentado negligenciar minhas vontades.
É uma espécie de regulamentação do querer.
Um tipo de auto-controle baseado mais em  necessidade do que no altruísmo propriamente dito.

Na verdade, o resultado final, acaba mesmo gerando o tal do comportamento altruísta.
Não se trata do genuíno, ou seja, aquele que surge  tão somente pela ação natural da vontade.
Se trata de uma imposição do acaso que não cabe a mim o a quem quer seja interferir ou questionar.

Obviamente que não posso dizer se  tais variáveis dentro do campo do fazer o bem têm realmente alguma importância para a construção de uma perspectiva ética. No fundo é  o tipo de análise que não leva a nada, mas que por via de regra traduz o comportamento humano como sendo uma constante reconfiguração do ser para se adaptar.

O crente em definitivo tem seus motivos tanto quanto o ateu.
Ambos acreditam no poder da vontade e na necessidade  de se controlar o ego e suas manifestações mundanas.
Ambos possuem suas vontades pecaminosas ou sagradas guardadas por máscaras poderosas.
Mas o ponto comum entre estes começa a ruir quando se percebe que a vontade de um tem um motivo diferente do outro.

A atitude altruísta nata pode ser encontrada nas mais diferentes  naturezas e nos mais variados meios de se pensar o mundo. Mas aquela que  representa a essência do bem e da ética em sua mais totais significações, não pode ser a mesma em que o indivíduo direciona suas vontades, ou as reprime  em função de algum tipo de beneficio ou pagamento.

Nesse sentido, até mesmo o mais devotado fiel, crente ou religioso pode investir no erro, primeiro de pensar que sua atitude não é interesseira. Segundo de  acreditar que o faz única e exclusivamente para o bem do próximo.

Este não percebe, que no fundo, até mesmo o caminho para Deus, ou a salvação, é um interesse em sí. Que sua atitude não retrata  um comportamento altruísta nato.

Mas quem pode, nesta acepção, produzir tais comportamentos?
somente aquele que não acredita em nada.
Sem acreditar em Deus, ou no homem, ou em dogmas, ou em ideias ortodoxas, o homem realmente livre pode, em essência ponderar sobre suas vontades mais sinceras.
Sem o balizamento divino, este indivíduo caminha sobre suas vontades mais sinceras.
Se fizer o bem, será tão somente por que acredita no resultado deste comportamento para algo ou alguém.
Não estará, sobremaneira, esperando as dádivas divinas e tampouco o "Deus lhe  pague".
Sua atitude, manifesta portanto o verdadeiro sentimento do ser desprendido das malhas  da compreensão errada da divindade e da mesma forma das muletas que impedem o amadurecimento da  vontade humana.
Neste sentido, não é a crença em Deus que  incute o homem ao erro, mas sim, utilizar desta prerrogativa como desculpa, tanto para seus erros, quanto para suas desculpas.
O bem em sí, não precisa de desculpa ou subterfúgio.
O altruísmo nato está mais ligado à vontade negada interiormente do que aquelas que o fazemos por recompensa.
Ser altruísta portanto não é se passar por bom ou justo aos olhos dos outros ou da igreja, ou da sociedade.
É ser pleno e definitivamente translúcido para sua própria  consciência, manifestando ou negando vontades baseados em tudo aquilo que internamente colabora para o crescimento total do ser.

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