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Quando o nexo existencial se resolve

Por Vander Soares

Algumas coisas nos tornam melhores…
E quando digo melhores não me refiro àquelas em que na maioria das vezes nos trazem determinados tipos de satisfação material, psicológica ou emocional.
Me refiro àquelas coisas que nos causam dor, sofrimento e tristeza.
Me refiro à tragédia, como elemento condicionante da vida e da sobrevivência na terceira dimensão.
Como explicar o estado deplorável em que ficamos diante das perdas, das derrotas, traições e das tragédias que chegam como as intempéries de uma tempestade avassaladora, sem aviso…sem sentido… e que partem na mesma velocidade que chegaram.
O que ficam são apenas as lágrimas de um coração moribundo, de uma ser que perdeu parte de sí, ou simplesmente se perdeu por completo.
O que fica é a intransigente dor.
Destruidora dor…que silencia a muitos e outros tantos apenas ao desespero deixa como companhia.
O que dizer daqueles perdem tudo e quando nada que se achava possível um ser perder, eis que então o pior acontece...
Lei de Murph, centésimo macaco...teoria do caos...

A inexplicável possibilidade da vida também abriga  a certeza do fim. 
De um fim coletivo, individual, solitário, desesperado, tranquilo...meditativo.

Não se pode mascarar a simplicidade com que o nexo existencial se resolve.
Somos o que somos e nessa sublime perspectiva do inevitável, o que resta somos nos mesmos, na contemplação do agora enquanto agora, do ser enquanto ser...
Sem reducionismos ou psicologismos salvadores, nada é mais real do que a vida, o ser e a morte.

Se te serves de consolo, cultivas o melhor de cada momento e a melhor de cada uma das lacunas do tempo. Seu fluxo e pessoal e intransferível...
O que você é fundamentalmente não se baseia  em teorias ontológicas, mas em construções diárias do que veio a se tornar esse ser que você se identifica como “eu”.

Fora isso o que nos resta é a imponderável salada de amor, dor, tristeza, alegria, chocolate, bmw, pão de mel, velocidade e morte...

Liquefeitos no irresoluto, dinâmico e poderoso fluxo do tempo.

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