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O lobo mau disfarçado

Por Vander Soares

Em meio a uma infinidade de proposições filosóficas, teses existenciais e projetos conceituais em torno da sabedoria e da forma como esta finalmente se insere  em nossa perspectiva intelectual, descobri que, diferentemente da ideia comumente aceita, em torno do que seja  sabedoria, percebi que tal conceito pertence àqueles que possuem maior experiência, ou maior relação tempo/problemas-inúteis,

Tal sabedoria que surge como fruto da rotina adulta,  por sua vez, não possui vínculo conceitual algum,  com determinadas personalidades que possuem na base de sua sabedoria maior sinceridade agregada.

Aqui, sinceridade agregada não se trata de um padrão de comportamento relacionado com quem é certinho ou a maioria do tempo se comporta como tal.
Estou me referindo ao comportamento infantil, como o maior referencial de comportamento relacionado a sinceridade agregada.

Eventualmente a proposta, de relacionar o comportamento infantil com sabedoria,   parece absurda e arbitraria do ponto de vista clássico e conservador.

Apenas eventualmente.

Porque a medida que avanço nessa investigação prazerosa, acerca de como realmente se dá tais concepções de vida e de universo  na particularidade de uma criança, vou descobrindo pormenores que de uma forma ou de outra me levaram a compreender o quanto as crianças são sabias.

Primeiramente é preciso observá-las de um ponto de vista neutro.
Sem autoridade, poder ou o "adultismo".

Neste último, me refiro ao  caso em que o adulto projeta sua personalidade sobra a mente infantil.  Inconscientemente ou conscientemente constrói regras que  se sobrepõe aos desejos, ambições e concepções que a mente infantil possui em determinados estágios de seu desenvolvimento.
Sobreposição aqui, tem o sentido de impor mesmo, de infligir o certo e o errado sobre a falsa hipótese do certo.

A correção adulta ou educação adulta  não têm nada a ver com a construção de valores morais.
Tem   a ver com  com a imposição de padrões de comportamentos puramente psicológicos.

Bem no sentido de psicologismos retardatários ou moralismos enrustidos.

Minha filha de 03 anos,  talvez seja o maior exemplo de que o psicologismo adulto é uma forma adulterada de ver e de enxergar o mundo de tal maneira,  que mais do quem em perspectivas puramente emocionais, os padrões de analise de comportamento infantil estão obsoletos.

Porque as crianças são sinceras?

Porque simplesmente elas não precisam mentir.
Elas não precisam de máscaras, ou de subterfúgios par se apresentar de uma forma ou de outra.
Muitos acadêmicos de renome afirmam que a mente infantil vive  em um mundo particular alheio aos conceitos  abstratos da realidade.

As crianças, ao contrário das teorias famosas sobre crianças, não são crianças exatamente no sentido de fragilidade intelectual ou incoerência racional.

São perspicazes, inteligentes, observadoras  e extramente lógicas na mesma medida em que são emotivas e sensíveis.

Parece ilógico tal observação.

Mas não é.

À medida que observo os diferentes ciclos de desenvolvimento da novas crianças.
Digo novas...ao citar especificamente estas de nosso tempo, que nos referimos a elas quando achamos que já nascem sabendo tudo. Nelas percebo uma mente muito mais capaz do que normalmente estivemos, ou do que normalmente estamos preparados para entender.

E de que se trata esse conjunto de capacidades.
Talvez, ao contrário do que passar horas aqui tentando explicar tais possibilidades comportamentais, fosse de maior relevância apresentar uma infinidade de vídeos, gravações e imagens que pudessem retratar o universo criativo   de uma criança ao longo dos vários processos de adaptação ao conhecimento adulto.

Mas não seria possível representar tais processos em sua integra por meio de quaisquer da formas de mídias ou de instrumentos de comunicação modernos.
Tal construção, diferentemente dos processos mecânicos, estão carregados da mais pura sensibilidade humana.

Talvez em um nível para além das próprias competências  especializadas, já que estas permanecem no puramente estabelecido ao nível dos psicologismos próprios da mente adulta, acadêmica, cansada...

Destruir a capacidade criativa da criança com o "adultismo",  sobre o pretexto da disciplina, das múltiplas aprendizagens e do futuro melhor, é sabotar o melhor da humanidade sobre o pretexto do progresso, da civilização e do futuro tecnológico.















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