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Brasil dos Brasileiros

Não é sempre que se tem a oportunidade de viver e vivenciar as possibilidades de um copa do mundo em seu país.

É sem dúvida alguma,  uma grande coisa a se ver e participar.



Talvez uma chance única, de além de interagir culturalmente com tantos espíritos diferentes, poder obter destes tantos espíritos, finalmente um esboço final, mesmo que mal acabado da realidade de sua terra natal.

A despeito de questões econômicas e questões relacionadas a gastos e outras mirabolantes perspectivas, inclusive àquelas ligadas a fantásticas teorias da conspiração, o que fica realmente é o que os outros viram e viveram. O que vai para as manchetes e circula no mundo da informação digital é aquilo que alguém viu, sentiu e mais do que em qualquer outro tipo de troca, aquilo que participou.

O que rola no mundo da informação e da desinformação é exatamente aquilo que vai pintar a imagem do Brasil. Neste caso, é mais do que necessário que se separe o Brasil Seleção de Futebol,  feito de ilusão e sonho, do Brasil Real, feito de brasileiros, gente sofrida, dinâmica, inteligente e vivaz.

O Brasil destes brasileiros não vai bem, obviamente, mas em muitos aspectos vai melhor que o Brasil da seleção de futebol. Se somos o que somos, por conta da histórica questão da colonização, isto já não interessa. Mas agora entre tantos caminhos e desencontros, quem veio à copa viu um Brasil feito de muitas cores, muitas possibilidades e muita, muita coisa boa, que deu e dá certo.

Aqui sem, sem subterfúgios, sem  futilidade ou sem critica burra.

Nosso pais é sim um pais singular e que merece ser visto como um pais que é muito mais do que aquilo que os estrangeiros "achavam" que o nosso pais era.

Não havia pretensão nenhuma de demonstrar um pais que no fundo não éramos.
E quando digo isso me refiro não aos dirigentes da FIFA, da CBF ou do Brasil em sí. Me refiro ao Brasil visto e enxergado pelos brasileiros. Aquele que no fundo amamos de verdade. Mesmo quando vimos tanta corrupção...
Tanta violência ou tanta coisa errada.
Não interessa...
O Brasil que foi visto, foi o Brasil dos brasileiros.
Por que quem veio, falou com pessoas, interagiu com pessoas, precisou de pessoas.
Não tenho dúvida que muitas coisas erradas, aconteceram.
Mas também não tenho duvida de que muitas delas foram superadas pelo "jeito brasileiro", e neste caso não me refiro ao "jeitinho brasileiro", que é pejorativo, preconceituoso e negativo.

O jeito brasileiro é sim um jeito sério de lidar com problemas e dificuldades. É sim uma forma especialmente criativa de enfrentar obstáculos técnicos, operacionais e humanos.

É essa diferença que  apesar de muitos estrangeiros poderem vivenciar, a verdade é que muitos brasileiros nao vivenciam. Brasileiros que apenas vivem no Brasil, mas não perdem uma única oportunidade de "queimar" seu país.
Criaturas que não conseguiram diferenciar muitas coisas na vida, e também, não conseguiram diferenciar um jogo de futebol de uma nação.
Que não conseguiram discernir o verdadeiro sentido de soberania de vandalismo moralista.
Estes que queimaram nossa bandeira, que rasgaram nossa camisa, que viraram as costas para o time de futebol, talvez sejam os mesmos que que viram as costas para o Brasil dos Brasileiros.

Não quero, de forma alguma desvincular da questão a possibilidade factual do torcedor revoltado. Do torcedor sofrido e triste. Daquele que sonhava, desejava e mais do que nunca colocou um sonho na frente de uma realidade.

Foi triste sim, foi decepcionante, foi revoltante.
Mas  nada disso exclui o fato de que foi um jogo de futebol.
De que foi uma competição.

O Brasil da Seleção não é o Brasil Nação.
A CBF não é a guardiã de uma nação de chuteiras.
Longe disso...
e neste caso não vou entrar no mérito do que a CBF realmente é...

Talvez possa dizer algo, apenas a respeito do que acho dos brasileiros que não conhecem seu país...
E que simplesmente são capazes de confundir coisas tão distintas.

Os problemas de nosso pais são os problemas de um pais continental, de uma nação de contrastes, de um povo diverso em meio a tantas adversidades.

Queimar uma bandeira tem tanto peso quanto os "achismos" pejorativos de muitos estrangeiros que não puderam vir ao nosso Pais. Isto geralmente ocorre por sobre a sigla de uma revolta ou do simples fato de ser brasileiro e que aqui pode-se fazer o que quiser.
Isto não é verdade...
E tanto você, quanto eu, sabemos que isto já não é mais assim...
Essa consciência do que somos e do que podemos fazer enquanto agentes de um pais melhor, é algum que não está baseado na imagem de Brasil de uma mídia comprada e nem de um governo submisso...

Absolutamente.

Esta imagem de Brasil baseada em consciência individual em prol de  um coletivo é algo que surge naturalmente na forma de uma identidade nacional.
De uma forma amadurecida e otimista de ver e encarar as possibilidades e as dificuldades de um pais,  no seu contexto  político, cultural e humano.

Somos o que somos e cada vez , melhor seremos, quando  repudiamos  a corrupção a violência e a deseducação e agimos efetivamente para somar ao trabalho e incansavelmente contribuirmos para erradicar estes males de peito aberto e de coração sincero.

A única chama que deve queimar nossa bandeira é a de uma vontade ardente de ver nosso pais crescer e  não aquele  fogo descontrolado que objetiva unicamente  subtrair, manchar  e subverter  em função de uma ilusão temporária.


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