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O Décimo primeiro Deus




No castelo de um imponderável saber, onde jaz a imortalidade mascarada,
jaz também  a  fêmea estuprada…
Sangrando o sangue das vontades e anseios daqueles olhos espantados…
Olhos sem poder…sem causa e sem toga … sem nada
Sem as  sobras do imperturbável senhor dos senhores…

Porque intocáveis são os divinos togados…
Incomensurável é a bondade que suas máscaras estampam...
Caprichosa e laboriosa é a onipotência que suas línguas sabidas carregam.
No castelo do imponderável saber, onde cai o corpo,  a pele branca, rosada, negra, parda e multifacetada da fêmea que sangra também sangra o sangue de seus filhos…
Esticada no gancho fúnebre que as paredes lisas sustentam, 

pendula a fragilidade fria e estéril da seda e do veludo tingido em rubro líquido.
Antes da espada justiceira a dama desfilava com o véu  da noiva do mundo o véu  da esposa da mãe e da filha…

Perambulava por praias quentes, cerrados tortos, campinas verdes e florestas escuras…
Cantava exuberante ao sol, aquelas mil canções antigas e à lua apenas lamentos tristes…
Mas eis que o décimo primeiro deus, travestido de anjo salvador, sentado no alforje alto de sua
magnânima existência sustenta à mão o elemento ceifador e com olhar orgulhoso  de mil
dragões alados o corpo inerte da dama tupiniquim que sangra…

Na toga apenas os respingos, ainda  quente…
Na toga apenas os respingos do sangue que jorra frenético pelo véu cintilante da carne moribunda…
A espada reluzente do décimo primeiro deus apenas finaliza a traição covarde
A espada reluzente apenas sinaliza para o fim daquele sorriso juvenil…
Ao redor do poço vermelho, em gargalhadas outros dez  ostentam o poder de um saber sem fim…
Um mórbido e causticante  saber togado…
Um estranho e  fétido saber  compassivo…
Porque intocáveis são os divinos …
Incomensurável é a bondade que suas máscaras estampam
Pois suas palavras são as palavra dos que silenciam
Mas seu poder não é o poder dos que morrem.

Ali na câmara dos imortais tudo ao décimo primeiro deus pertence…
Apenas o sangue que jorra sobre o véu da fêmea escapa-lhes ao olhar conjurador
Pois no castelo de um imponderável saber, onde jaz a imortalidade mascarada,  jaz também  a  pátria
estuprada…

ConfiraSupremo dá nova chance de julgamento a Dirceu e mais 11 condenados no mensalão

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