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Ética e Política de Platão na perspectiva comunitarista


A proposta filosófica de Platão no sentido de restaurar o contexto social e politico de Atenas, residia na tentativa de trazer, o bem, o belo e puro à vida do cidadão, por meio de uma dialética  capaz de trazer luz ao conhecimento como fonte da virtude grega. Baseava-se fundamentalmente em uma crítica à aristocracia grega tradicional, sua estrutura educacional, sua política e seu valores distorcidos por uma plutocracia reinante. A resposta à esta necessidade de construir uma sociedade simples, tinha como foco a valorização dos princípios éticos tradicionais, bem como o direcionamento do homem por meio de caminhos virtuosos para uma posição de estabilidade e permanência.
Para Platão estes valores tradicionais consistiam basicamente na efetivação política da polis  através da busca da perfeição pelo indivíduo. Sendo este por natureza social, se complementa por meio da estruturação organizada e harmônica também da polis do qual faz parte. Quando a polis, se estrutura  em uma organização de homens éticos e virtuosos  ela se fortalece e se atualiza como princípio unificador das vontades coletivas. Este caminho de busca por uma elaboração criteriosa de comportamentos e de verdades situadas no campo da sabedoria, por meio de uma mudança intelectual  que parte da  doxa (opiniões) para episteme (conhecimento) constitui o fundamento no qual Platão sustenta sua concepção ética, que inicialmente tem seu escopo concebido na elaboração de uma sociedade ideal, que só poderá ser atualizada para a sociedade de fato por meio de uma reforma social.
A evolução de sua política, portanto, nada mais é que sua construção ética em nível de estado por meio de um desenvolvimento politico que valorize a polis e tenha seu contexto e sua estrutura geral como um elemento formador. Assim o estado, organizado, harmônico surge como fonte norteadora do comportamento do indivíduo. É ele que deve cuidar da educação e é ele que deve manter a sociedade unida por um mesmo conjunto de valores ideais. O bem maior da sociedade, neste sentido é sua unidade. Desta forma, o individuo como elemento da perspectiva comunitarista se reflete em uma identidade pública que deve abandonar a individualidade e  principalmente a propriedade privada como fator desagregador  da unidade ético-politica da polis. Para que a cidade atualize o bem em sua máxima expressão, é necessário  que se torne unitária e comunitarista, já que a propriedade privada gera o individualismo e a desarticulação dos valores éticos que unem os indivíduos em torno polis.
Portanto a ética e a politica de Platão tinham uma base conceitual estruturada em torno da crítica ao discurso retórico tradicional, responsável pela Paidéia aristocrática e pelo processo social, que apresentava realidade de justiça e ética incompatíveis a realização da polis como elemento de unificação dos valores gregos.

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