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Desconstrução do Ser


Não é muito fácil se desvencilhar de um cotidiano alienante.
É um exercício, que por vezes sem conta nos força ao isolamento e muitas vezes ao aniquilamento.
Um isolamento que de certa forma possibilita uma concepção e uma compreensão melhorada  do que  realmente vem a ser prisão, calabouço, masmorra etc...

Não se trata de um hermetismo espalhafatoso, mas de um recolhimento aberto. De uma  real associação do ser com o não-ser.
Em sentido categórico significa o caminho da construção da realidade baseada na realidade total e não na realidade percebida ou sentida simplesmente. 

É assim que o pensamento filosófico arrebata o curioso e o transforma em uma inteligência perspicaz n não apenas  no modo de pensar ou sentir.

Mas antes de qualquer coisa no modo  de ser. 

E não há ninguém além do filósofo nato, para se aventurar por estes caminhos tenebrosos, que se constituem de qualquer forma,  mais do que em qualquer outra coisa, na desconstrução do ser tal como ele se enxerga.

Desconstrução das lógicas e verdades que cedo ou tarde vão se mostrando ponderáveis. Cedo ou tarde vão se acanhando e emoldurando  às possibilidades de uma existência formatada fundamentalmente  para o exercício dos papéis e das funções inferiores do intelecto.

Sem salto, sem ousadia, sem pancadaria sináptica o ser migra incondicionalmente para o pseudo estado do ser.
Uma espécie de cultura do acho incrementada pelo consumo, sem no entanto, se reconhecer na essência de um o não-ser ao menos original. 

E a partir daí, o perigo das possibilidades mais relacionadas ao falso e ao questionável  se expande inexoravelmente por uma  malha epistemológica já corroída pela preguiça e pela futilidade próprias de nosso tempo.

E é a partir daí, da mesma forma que a necessidade de uma filosofia restauradora se faz necessária. 

Primeiro para  equilibrar o jogo onde se valoriza mais a superficialidade do que as essências. Depois, porque a filosofia é o único meio de se trazer à tona as possibilidades reais do ser, sem que este seja enganado , de um lado pela falsa noção de sí, e por outro por uma inconsistente segurança intelectual carimbada pelo academicismo exagerado e pouco criativo.

O que seria portanto essa tal filosofia restauradora­­?
O que significaria, para o curioso ou estudioso a obtenção dessa ferramenta sem par?
Obviamente que em se tratando de concepção do mundo e dos valores, seria sem dúvida a maior entre todas as formas de posse. 
O maior entre todos os saberes e todas as formas de se pensar o saber.

Pois transformação do curioso com o pensamento filosófico tem um segredo que reside no fato de que somente ele pode fazer as perguntas que o levarão ao sucesso ou a posição de curioso catedrático. Caminhos distintos que vez por outra se confundem para os mais desavisados.

Não obstante, valioso também é inferir sobre o sentido e a significação de sucesso. Pois o que para alguns é tudo. Para outros pode nada significar.

E essa diferença na forma de ver o tudo e ver o nada é que filtra o pensamento filosófico e o refina até o mais alto grau de segurança na malha epistemológica.

É essa diferença que vai aos poucos agregando fios e mais fios de saberes dos mais diversos  nas possibilidades natas do ser.

Abrir-se para essas possibilidades é um tipo de escolha que também faz a diferença.
Portanto não é uma escolha randomicamente possível.
Sua possibilidade oscila no universo do imponderável.

É uma opção de vida baseada na necessidade de imersão ora no lixo e ora nas águas cristalinas  do saber essencial ao ser.
É um caminho que possui em seu cerne  a profundidade do saber filosófico e a simplicidade das necessidades do ser.
Curioso ou não…
Há de ser filosofo para mergulhar nestas águas e no mergulho,  durante a jornada pelo  caminho insólito, abrir mão de um ego alienado em um processo de desconstruir-se para verdadeiramente o Ser.
Eis a filosofia…
Eis o filósofo.




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