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Superação do Intelecto


Durante um longo período de minha vida acreditei que excelência intelectual era o máximo das possibilidades humanas. Acreditava que tudo girava em torno desta habilidade e que seria difícil a integração do homem com a sociedade e consigo mesmo sem esse aspecto com predominante em qualquer tipo de busca.
E obviamente eu estava errado, pois em meio a uma torrente de ingenuidades não consegui perceber as limitações e as incoerências relacionadas a este tipo de pensamento  mecanicista.
Não há duvida de que nossa civilização depois de um certo tempo passou a fincar suas bases  norteadas por este princípio. Talvez se Aristóteles tivesse sido um Platão, teríamos uma outra configuração no modo de pensar e conceber a realidade. Isso porque Depois do primeiro chute de Aristóteles, veio a primeira máxima de Descartes. Uma espécie de “o pensamento é tudo”, embutido em “Penso, Logo Existo”. Obviamente que capitalismo e a sociedade industrializada adotou o modo  Aristotélico e  cartesiano de pensar em todas as outras áreas do pensamento humano. Desde as humanidades, com Freud imaginando a mente humana como uma maquininha curiosa até Darwin com a fantástica teoria evolucionista e materialista.
Aos poucos fui percebendo as distorções de cada uma destas teorias baseadas na inocência poderosa de Aristóteles e na genialidade limitada de Descartes.
Ambos em seu tempo representavam o supra-sumo do intelecto humano. Mas tudo para no teto da racionalidade quando a cobra começa a morder o próprio rabo. O tal do intelecto então começa a se transformar em uma dialética infinita, onde as perguntas se ampliam proporcionalmente à diminuição das respostas. Fui até esse ponto onde a ingenuidade vez por outra se solidifica  na consciência e  passa a gerir um certo tipo  vida intelectualizada.
Os  Ensaios Céticos que deu o Prêmio Nobel a Bertrand Russel nos dá prova desse ciclo vicioso do pensamento racional. Sua crítica acirrada ao racionalismo exagerado se baseia em contradições de uma lógica que quase sempre é norteada por uma premissa nem sempre tão verdadeira. Com certeza Russel como físico, matemático, filósofo e intelectual foi um daqueles que bateu a cabeça no teto do racionalismo enquanto fazia da razão sua maior companheira.
Mas como sair do círculo viciante?
O que acontece depois que a cobra desiste de morder o  próprio rabo?
A verdade é que a maioria dos grandes pensadores que adquiriram esse galo intelectual, acabaram experimentando a tristeza de morrer na praia de seus silogismos e sufocar nas águas turvas de suas verdades parciais.
A superação do intelecto, portanto consiste na transformação desse círculo em uma espécie de espiral transcendente. Não no sentido nietzschiano da vontade de poder relacionada com a busca do ir além, imanente e racionalizado.
Mas no sentido religioso, por assim dizer.
Mas não no sentido de religião dogmática. E sim em um sentido de religiosidade transcendente.
Quando a física moderna, tal como disse Jung, der as mãos a uma psicologia transcendental ou  a quântica e a relatividade vindas de um extremo ponto da razão se encontrarem com as filosofias orientais, particularmente com os conceitos do I Ching, talvez sim, possamos superar nossas limitadas mentes mecanicistas  e dar saltos quânticos  na forma de pensar o intelecto e na forma de traçar caminhos sérios e sinceros para sua superação, em um sentido mais holístico e mais voltado para a compreensão do homem em sua totalidade.

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