Pular para o conteúdo principal

A Casa dos Horrores

Mais  uma vez venho manifestar meu tipo particular de lamento.
Não é um exercício saudável, este de se dedicar a tentar expurgar da própria cabeça os sentimentos malignos que aos poucos vão se acumulando acerca da política brasileira.
Queria que fosse um exercício puramente filosófico.
Uma espécie de análise cartesiana do contexto de nosso circo institucionalizado.

Mas não é...
É sim um exercício de revolta.
Um tipo particular de sentimento voltado para situações em que você, está freqüentemente sendo submetido e arremetido...isso pra não dizer metido, no sentido duplo da acepção....
pois sinceramente é isso que senti, quando ouvi  da mídia televisiva, que a filha , obviamente, não pródiga de Joaquim Roriz, Jaqueline Roriz, havia sido absolvida por seus pares.

A primeira coisa que me veio à cabeça foi um reconhecimento instantâneo, de que mais uma vez, aquela casa não seria capaz de demonstrar, ao menos por capricho ideológico, sua própria redenção junto a opinião publica.
Seria esperar demais, que deputados e deputadas se impusessem em coro uníssono contra a corrupção....
Contra a velha representação oligárquica que a família Roriz tem no meio político da capital.

Não bastaram os vídeos, as evidências e toda a histórica fama  da família do ex-governador, para que o circo se encantasse com um pouco de justiça e decoro.
A insensibilidade e a falta de uma correta avaliação dos conceitos de verdade, logicidade e coerência  política encabeçaram a decisão dos homens, que segundo a tradição, deveriam ser o ícones da ética política tão claramente deturpada por um corporativismos, que já não cabe no contexto político da atualidade.
Jaqueline Roriz foi sumariamente absolvida...
Esse é o fato político, que deixando as controvérsias, especulações e revoltas, não combina com o papel destes senhores que se dizem representas do povo...
A questão a que me remeto, não obstante, é de me questionar a respeito de que povo, essa referencia insinua.
A verdade é que não há perspectiva a respeito de qualquer redenção, qualquer  vislumbre sutil de valorização do voto que lhes é confiado...
Portanto, somos os palhaços desta casa dos horrores, papel, que representamos  sem voz, vontade ou coragem.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

POLÍTICA CLÁSSICA E AS IDEIAS DE MAQUIAVEL.

A tradicional concepção de política  proposta por Aristóteles, prevê uma visão oriunda da natureza humana  e que através de um continuo aprimoramento leva o indivíduo a  desenvolver um comportamento virtuoso por meio de escolhas que  possibilitem  a realização do bem comum e individual no contexto social grego. Há uma estreita relação entre o comportamento ético e o comportamento político, que inevitavelmente está ligado à moral, pois o ato de perseguir este bem moral, este bem comum, o bem da polis leva o indivíduo  a exercer e deliberar sobre os assuntos da polis. E isso reflete uma igualdade entre aos cidadãos, que a partir da unidade constroem a diversidade, princípio fundamental da vida e da política grega segundo Aristóteles. Nesta perspectiva, contrariando o pressuposto lógico da anterioridade do indivíduo, a polis é anterior a este, e este sem a polis não poderia existir. É a cidade que sustenta conceitualmente o individuo e é por meio dela que o individuo realiza e potencializ…

Esoterismo é uma religião?

Bem, foi esta pergunta que uma grande amiga me fez outro dia, quando por ocasião de uma situação inusitada, ouvíamos na CBN uma entrevista com Teólogo e Professor de filosofia da UFRJ, Leonardo Boff. O repórter da CBN havia lhe perguntando a respeito da reação tardia da igreja católica sobre a onda de casos de pedofilia envolvendo padres católicos.

Durante o papo e falando sobre a problemática da sexualidade humana, na igreja e na família como um todo, acabei pegando um gancho nas belíssimas respostas dada por este grande mestre Leonardo, e lhe apresentei minha posição pessoal sobre o que significa Integração Holística, busca ao transcendente, equilíbrio humano, dualidade e outros tantos conceitos que fazem parte do dicionário de quem, sem dar nome ao bois tem uma busca pessoal baseada na verdadeira acepção da palavra religiosidade.

No vai-e-vem do papo ontológico que travamos, referi-me ao conceito de esoterismo como um caminho de integração e conexão (No sentido de Religare e não de…

O Discurso do Método Terceira parte

O estudo da obra de Descartes, mais precisamente entre a 3ª e 4ª parte do Discurso do Método, conforme proposto pelo professor, iniciou-se com a revisão dos conceitos elaborados pelo autor que culminaram com a sua mais famosa máxima: Penso, Logo Existo. A partir desta perspectiva o mesmo constrói sua linha de raciocínio em busca de uma contínua desconstrução de todo e qualquer obstáculo ao princípio de verdade. O que o autor define como Dúvida Metódica. Começa por meio da implantação de um filtro, onde através de análises profundas e metódicas, estabelece um critério básico como ferramenta de aprimoramento de suas idéias. Esse filtro se refere, portanto à definição da verdade e da falsidade nas coisas. Aquilo que possuir a verdade em sua totalidade, passa no filtro do que pode ser dito como verdade e de outra forma, aquilo, que possuir ou conter mesmo que pequenos traços de falsidade deve ser descartado do contexto das verdades dotadas de clareza e exatidão em sua essência.

Em busca …