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Paternidade

Mainhdra Leony
Tenho experimentado uma infinidade de experiências.
Tenho vivido uma infinidade delas.
e a cada momento me surpreendo mais com as possibilidades desta experiência terrena.
Quando pensei que aos 36 já havia experimentado o suficiente...

Eis que o inusitado vem ao meu encontro... e surpreende-me.

Eis que de repente me  vejo imerso em um contexto até então desconhecido.

Desconhecido sobremaniera, por que focado na superficialidade das coisas não me ateve a outras tantas possibilidades.
Talvez não estivesse mesmo disposto a lidar com essencias e príncipios de nobreza tão peculiar.

Talvez não estivesse pronto.
Talvez não estivesse atento às leituras factíveis do mundo sensível.
E embrutecido pela apego  mimético ao aspecto puramente prático não percebesse o fundamento primeiro daquilo que há muito já poderia ter experimentado.

Eis que me vejo pai...
E nessa pespectiva me vejo transbordando de um certo orgulho pacífico.
E me vejo melhor.
Mais do que jamais consegui ser um dia.
Mais do que jamais me aproximei como menino, jovem, homem.

Eis que me vejo, no espelho, inebriado por uma essência de aroma indiscrítivel.
Nestes termos, minhas bases  me parecem solidificadas, sobretudo pela paternidade adquirida.
E não menos, por uma alegria que de mim transborda feito uma cachoeira de possibilidades quase quânticas...

Do outro que eu já fui um dia, em aspectos superficiais, fica apenas a lembrança de sonhos não realizados, por que é deste que agora pai em conteúdo e essencia, é que me aproximo e me identifico.

Do outro que eu já fui um dia fica apenas vácuo de memorias longíquoas, que não vãs, mas apenas memórias...

Porque é neste que agora sou, me completando a cada segundo, que meu caminho se define, para além do superficial e fútil...
Para além daquilo que perâmbula  distante da essência mágica de um paternidade humanamente possível e espiritualmente valiosa.

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