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Simplicidade

Hoje, magicamente pude vislumbrar a dança mágica de um espetacular beija-flor.
Espetacular  e estupendo era  o poder manifestado naquelas asas tão frágeis.
Fiquei ali, congelado, disperso e apaixonado...

De repente, tão de repente quanto a velocidade das asas do pequenino...

Me sobreveio um pensamento intrigante a respeito da força e do poder humano.
Me sobreveio um pensamento estranho a respeito da fraqueza e do egoísmo humano.

Naquelas asas não haviam a prepotência e o pseudo-poder arraigado a uma construção errada de sí mesmo.
O Beija-flor, mais que qualquer criatura humana reconhece seu papel e sua infinita particularidade no universo do qual faz parte.
Ele, na mesma e inexorável simplicidade, o faz com a maestria de um grande mestre.

Conectei minhas idéias de beija-flor,  ao meu conceito de simplicidade.

O rearranjo dessa relação contrastou sobremaneira com a complexidade normopata da humanidade...
Isso  me causou estranheza e tristeza na mesma e infindável proporção.

Porque complicamos tanto nossas vidas?

Poque somos marionetes dessa complexidade?

A verdade, é que nos tornamos estrelas incansáveis de nossa vontade diária de criar hiperligações com o que não precisamos.
Com o que não não queremos essencialmente...
com o que não nos é natural...

E seguimos complicando nossa existência.
Estragando o poder de nossas poderosas asas intelectuais...

É complexo demais dar um sorriso...
É complexo demais dar um bom dia...
É complexo demais pedir desculpa...
e da mesma fora agradecer um gesto amigo.

Para nos a complexidade passou a fazer parte inerente daquilo que temos que fazer por fazer e passou a ser fundamental naquilo que fazemos por obrigação.
Não há complexidade na espontaneidade...
Não há complexidade na autenticidade.

Na dor preferimos o desespero que causa mais dor
do que a serenidade que aconselha...

Na tristeza buscamos a melancolia que nos oprime
ao renascer da mente em busca de uma forma diferente de repensar a alegria...

Na raiva optamos pelas palvras que ferem
ao silêncio que ensina...

Na solidão nos entregamos à morbidez de pensamentos
ao buscar contínuo de pensamentos assertivos e altivos a respeito de nós mesmos e do mundo...

Quando oprimidos reagimos selvagemente
Quando acuados nos tornamos as feras feridas por nós mesmos...

E sem pensar no que somos e no que podemos em nossa simplicidade maior, vamos construindo um rastro de complexidade doentia.
Atropelando o caminho de estreitas relações com a flor, com o jardim e com o jardineiro.

Cada complexidade possui em seu cerne um solução simplificada pelo amor.
Cada dificuldade possui em sua essência uma simples boa vontade para fazê-la desaparecer...

E pensando no beija-flor...
pude perceber que no fundo, é no jardim de nossa humanidade, que estão sendo semeadas as sementes de boa vontade e de amor, princípios universais de um simples e equilibrado mundo melhor.

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