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Os inimigos da verdade não são as mentiras, mas sim as convicções

Imagine, que em mais uma de minhas imponderáveis viagens ao mundo de Nietzsche, acabei sendo atropelado pela frase que tornei título deste post.

Na primeira vez que a li, não pude deixar de classifica-la como tola.
Não obstante, após detalhada aferição de seu sentido mais profundo, não pude desta vez, deixar de pensar-me um tolo.

Este pensamento avassaldor me pegou de sobressalto e não tive como abandoná-lo nos calabouços das coisas que preferimos não distcutir.
O conceito imateiral de verdade às vezes me assusta.
Às vezes me tira a vontade de buscar compreensão nas brechas que o tempo vai aos poucos abrindo em nossa vida.
A reflexão inusitada não pode deixar de ser a nossa principal ferramenta em busca da verdade total. Das coisa imersas nas possibilidades além de nossa percepção meramente sensorial.

Mas a questão que me aflige conciste exatamente na essência do que realmente seria a verdade.
O que realmente concede particularidade às coisas e aos conceitos de jeito que estes possam ser ditos e entendidos como verdadeiros?
Quem pode conceder essa titularidade a algo ou a alguma coisa?
Que tipo de criatura ou conjunto de forma-pensamentos poderiam atribuir a verdade a isto ou à áquilo.
Ser verdadeiro, ter a verdade e segui-la alucinadamente é um atributo próprio de nossa mente?
Ou um mero desvaneio de nossa criação materialista?

Bem são perguntas demais para serem respondidas assim, profana e acintosamente.

Mas descobri, que vale à pena ao menos a especulação sincera sobre o que vem a ser a verdade.
Essencialmente, sinto como se fosse algo que nos trás o alívio como objeto representativo daquilo que achamos fazer parte de um conjunto de coisas que inexoravelmente convergem para o nosso prazer pessoal e nossa realização como criaturas necessitadas de pacotes de felicidade

Neste ponto fiquei por horas analizando a “verdade” por trás daquela proposta por Nietzsche.
Quando penso neste mesmo conjunto de coisas a que estamos submetidos o tempo todo.
Aí então eu penso em convicções. E em pacotes de felicidade.

Quantas convicções e certezas possuímos e amamos incondicionalmente.
Quantas transfomamos em imagens idealizadas da verdade que inebriados achamos se tratar de superestruturas absolutas.
Quantas usamos como ferramebntas de poder, controle e manutenção de nosso “status cuor”.

Sim. As convicções que possuímos e que colecionamos ao longo da vida são as maiores inimigas da verdade imanente.
São elas que nos escondem os segredos mais sinceros da natureza humana.
Escondem o teor de nosso papel e de nossa necessidade de compreender o que temos que fazer frente o embate cotidiano, enfrentando as várias pseudo-verdades-empacotadas e vendidas à atacado em toda e qualquer esquina de nossos medos também implantados.

Veja bem, não estou dizendo nem de certeza, que é algo ainda mais opressor e deprimente.
Até pouco tempo ainda havia, como consolo, para meu ego desesperado, a idéia de que seria melhor ter convicções que certezas...
Um embuste...
Nesta linha eu admitia para mim mesmo que o conceito de que homens que possuiam certezas, eram criaturas fechadas, prontas e acabadas...

As convicções passaram a ser minhas companheiras desde então.
Assumi meu amor por esste caminho menos comprometido, acreditando que homens dotados de percepções alinhadas com convicções, seriam por sua vez criaturas abertas ao novo e dinâmico “se-re-fazer” do mundo.

Enganei-me.

Minhas convicções aos poucos, solidificadas por uma rotina baseada na luta contra o mundo ( um embate que considerava injusto, por sinal), acorrentaram minhas possibilidades de voar além dos padrões abertos que eu imaginava seguir triunfante.
Não deu outra.
Nietzsche, avassalador como sempre, bateu em minha porta e me mostrou (não por A + B, mas por uma simples analogia dos valores significativos da verdade, e de sua intrumental capacidade de controlar coisas e possibilidades) o quanto nos enganamos com a superficialidade das coisas.

Coisas que aprendemos na infância, e conceitos que desde os primórdios acalentam nossa civilização.
Coisas criadas e inventadas...
Tolices arraigadas...
Grandezas germinadas...

Todas, de uma peculiar e sutil máscara de verdade.
Para o genial pensador, o ideal seria quebrar essa superestrutura psiquica e e reformular nossa idéia de verdade.

No entanto, depois do salto e da linha perigosa que já me propus ultrapassar, prefiro, pelo menos por ora, deixar de acreditar nesse todo tangível e mascarado que me apresentam como realidade natural.

Quebrar a lógica contextual é um trabalho a longo prazo...
Desmantela-lo como um castelo de cartas é um trabalho que vai além...

Para mim muitas coisas já mudaram de lugar.
Estou acreditando mais em mim mesmo e em minhas possibilidades do que nos manuais espalhados por nossa psicosfera tridimensional.
E se neste contexto a verdade só pode existir diante de minha negação ao mundo das verdades subjetivas.

Quero começar negando o egoísmo, a arrogância e a miséria humana como próprias de nossa natureza, arrancando as fraquezas comuns de minha mente solitária.

E quando penso que nada caminhei...
descubro que minha mochila de chumbo ficou para trás.

Na verdade...rrsss

Consegui substituí-la por uma de ferro
E assim vou
A estrada é longa...
Mas olhando bem à frente, percebi que o caminho é ainda mais irresistivel
Então até breve, que eu vou indo, sem
convicção,
certeza ou
pressa.

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