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O que mais me Incomoda

Nesse mundo globalizado não nos é permitido fazer muitas escolhas.
Ao longo de nossa vida, quase sempre procuramos nos adaptar a padrões previamente homologados.
É uma questão de adaptação.
Cada indivíduo.
Cada criatura geneticamente constituída converge para esse processo de busca constante pela sobrevivência. Cada um da sua forma.
Cada um conforme seus princípios adquiridos no primeiro 1/3 da vida.
Isso é natural.
É o mecanismo de perpetuação das espécies.
E foi assim que construímos nossa civilização.
E até aqui me parece que as coisas fluíram satisfatoriamente.
Ou me parecia...
Porque no contexto atual alguma coisa me incomoda e seguindo a minha mais apurada forma de perceber o mundo parece que a soma de todos os nossos medos acaba de nos descarrilar do caminho natural das coisas.
E não é a absurda e desvairada busca por tecnologias conceituais;
Não é a crise mundial dos sistemas e dos processos financeiros e econômicos.
Não é o colapso das instituições e tampouco a derrocada definitiva da espiritualidade do homem sobre a terra.
Não...
O que mais me incomoda é o egoísmo.
É o egoísmo dos conglomerados financeiros que sozinhos poderiam acabar com a fome e a miséria humana.
É o egoísmo, que com base em um fundamentalismo religioso produz as barbáries terroristas que assolam os quatro cantos de nossa aldeia global.
É o egoísmo dos pensamentos materialistas maquiavélicos que segundo pressupostos errados construíram a base da superestrutura de uma sociedade suicida.
É o egoísmo político voltado para o direcionamento das coisas e dos valores para uma elite selecionada de indivíduos erroneamente capazes de servir ao coletivo da qual faz parte.
Por fim, é o egoísmo individual, que não nos permite mais amar totalmente...
Sorrir incondicionalmente...
Dizer com sobriedade...
Respeitar com autoridade...
Dizer não com amor e sim com propriedade.
O que mais me incomoda é o nosso medo infantil de enfrentar nossos demônios sem projetá-los peremptoriamente nos outros...
O que mais me incomoda...
é perceber com tristeza o quanto as pessoas sabem mais dos outros do que de si mesmas.

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