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Esoterismo é uma religião?

Bem, foi esta pergunta que uma grande amiga me fez outro dia, quando por ocasião de uma situação inusitada, ouvíamos na CBN uma entrevista com Teólogo e Professor de filosofia da UFRJ, Leonardo Boff. O repórter da CBN havia lhe perguntando a respeito da reação tardia da igreja católica sobre a onda de casos de pedofilia envolvendo padres católicos.

Durante o papo e falando sobre a problemática da sexualidade humana, na igreja e na família como um todo, acabei pegando um gancho nas belíssimas respostas dada por este grande mestre Leonardo, e lhe apresentei minha posição pessoal sobre o que significa Integração Holística, busca ao transcendente, equilíbrio humano, dualidade e outros tantos conceitos que fazem parte do dicionário de quem, sem dar nome ao bois tem uma busca pessoal baseada na verdadeira acepção da palavra religiosidade.

No vai-e-vem do papo ontológico que travamos, referi-me ao conceito de esoterismo como um caminho de integração e conexão (No sentido de Religare e não de religião com instituição humana) cósmica.

Mas percebendo o germinar de uma seqüência de intermináveis dúvidas na cabeça de minha amiga resolvi esclarecer de uma forma mais didática o tão desconhecido conceito.

A primeira coisa com sentido e significativo quando se fala de "coisas esotéricas" e não se perder no labirinto sombrio e tenebroso de nossa limitação lingüística.

É uma filosofia de vida e busca que reside no universo das coisas ocultas, que é o oposto do adjetivo eksôterikos, -ê, -on (exterior, destinado aos leigos, popular, exotérico) já existia em grego clássico, ao passo que o adjetivo esôterikos, -ê, -on (no interior, na intimidade, esotérico») surgiu na época helenística sob o Império romano.

Então Esoterismo não é magia negra tampouco seita religiosa.
É uma forma profunda e verdadeira de buscar uma intimidade maior com as coisas ocultas e não perceptíveis no contexto da vida puramente material.
A vida Esotérica é uma filosofia de vida.
Uma forma de integração com a nossa natureza divina e cósmica.

Muitas pessoas se entregam desnecessariamente a um conjunto de regras e dogmas em religiões e pensamentos religiosos.
Ser esotérico é ser livre destas instituições e prisioneiro da vontade de romper os limites da matéria densa através de um trabalho silencioso, despretensioso e sincero, realizando em seu dia-a-dia o melhor daquilo que muitas religiões pregam como conduta e busca ao Sagrado.
Quando se fala, portanto de Cristianismo Esotérico, estamos falando da intimidade profunda com os primeiros pressupostos espirituais proposto pelo Cristo.
Assim, a verdadeira relação humana com os valores cristãos só pode existir realmente em nível esotérico. Isto por que, é somente neste nível de integração com a energia do Chrística (do cristo)que podemos sentir, tanto as vibrações ,quanto o amor da re-conexão com o Pai.

É aí que os conflitos religiosos atropelam o pensamento puro desta re-conexão.
As religiões são instituições humanas dotadas de todo o materialismo não proposto pelo Cristianismo Esotérico. As religiões se auto-denominaram as pontes de conexão com o transcendente e sagrado.
Mas elas não o são...e talvez nunca realizem este papel verdadeiramente.
Está relação de ilusão e desconexão, construiu a nossa sociedade.
Construiu a confusão de valores e tribulações que tornaram a vida da grande maioria das pessoas um verdadeiro "Inferno".
Sem chance de realizar o verdadeiro religare e sem saber ou sentir a energia cósmica do sagrado, as pessoas se perderam nesta confusão e pouco têm buscado de religiosidade em suas vidas engessadas pelo medo, pelo preconceito e mais do que nunca pelo apego desenfreado à superficialidade do mundo visual, sexual e intelectual.

O ser esotérico, portanto, não precisa ser um Monge Budista ou um Dalai no Tibet, mas um ser que procura, no universo de suas potencialidades e limitações transcender sua própria noção de existência.
Precisa libertar-se das amarras do superficial, e mergulhar silenciosamente em direção à sua essência primeira, ser perder gosto pela vida, sem deixar de ter prazeres e sem deixar de sorrir, conversar, amar e se relacionar com seus iguais.

O trabalho esotérico não consite na formação sitemática de um mestre ou de um ser humano superior, mas em uma criatura, que apesar de não estar pronta e acabada, tem convicções, esperanças e sonhos. Por outro lado à criatura pronta e acabada nada mais pode ser acrescentado. Nada mais pode ser somado. O ser pronto não cresce, não evolui e não permite possibilidades à sua alma, pois sua crença e sua fé se baseiam fundamentalmente em certezas pré-concebidas.
Ser esotérico e não acreditar na imobilidade e tampouco na inércia espiritual.
O esoterismo não é uma religião, mas uma ponte sincera, aberta e plena, para não apenas um ou outro ser humano, mas para todos que ansiosamente queiram encontrar a essência primeira que nos move inexoravelmente em direção à nossa origem cósmica.

Portanto,
Esoterismo é uma religião?
Não.
É a manifestação da mais profunda e intima relação com Deus.

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