Pular para o conteúdo principal

Um Avatar em Copenhagen

Há alguns dias resolvi ver um filme como nos velhos tempos...

Ingresso, fila...
Pipoca, fila
Banheiro, fila...
Saída, fila...

Tudo bem, a fantástica campanha de marketing em torno da revolução 3D no cinema me chamou a atenção...

E então lá estava eu, esbaforido, suado e um tanto quanto eufórico com tanta gente bonita e de outros tipos, que tiveram a mesma e brilhante idéia que eu...

Finalmente consegui me sentar ao lado de minha namorada, que de linda, foi transformada em uma típica “feia” por conta de um pesado e pouco ergonômico óculos (em tese) 3D.

Começou então mais uma grande história de bilhões de dólares em bilheteria, e minha cabeça quase que por conseqüência de minha mania de andar conectando as coisas, iniciou uma gradativa seqüência de uploads e downloads de seqüências típicas de um bom conjunto de efeitos, e tecnologia com uma boa história catapultada por um brilhante enredo.

A primeira conexão, me veio à cabeça em meio a beliscões e apertões que uma estranha moça (minha namorada de óculos 3D) aplicava em meu antebraço, foi a respeito da raça humanóide que habitava o fantástico Planeta Pandora. Percebi logo, que seria interessante imaginar o quanto de harmônico e equilibrado seria nosso mundo se tivéssemos insignificante percentual de aproximação com a natureza tal como Os Navís apresentavam ter diante de um ecossistema igualmente rico ao nosso.

A beleza da relação do homem com a natureza pode ser vista em 3D e sentida diante do desempenho de uma personagem feminina que mais parecia um segmento de vida nascido da própria emanação energética de um planeta “ficticiamente” vivo.

E então, Copenhagen me veio à cabeça...
A conferência climática mais esperada da década...

Me veio como uma pancada do tamanho da árvore sagrada que os brutamontes típicos de filmes do “Rambo” conseguiram derrubar , com muita evolução tecnologia e superioridade bélica.

Ouvi alguns suspiros e até uns poucos soluços quando a árvore foi ao chão ao som de uma triste e bem cadenciada seqüência musical mesclada com o som destruidor de poderosos e velhos lança-foguetes modernizados por um design realmente caprichado.

Copenhagen... Será que o cara da China veria este filme? (RSSS)
Copenhagen... Será que o Obama entenderia tal metáfora?

Provavelmente verão, e provavelmente rirão juntos desta que para eles não passa de um grande sucesso de cinema que provavelmente também, terão que ver com seus filhos e netos estilizados.

À medida que a história se desenrolava, minha cabeça de prego ia conectando Pandora ao nosso pequeno e pálido ponto azul, e da mesma forma ia percebendo o quanto de pequenos e terrivelmente parasitas nossa espécie na ficção havia conquistado ao longo de centenas de anos tecnologicamente bem planejados.

O pior de tudo é que esta conexão me levou irremediavelmente ao mesmo cenário humano de nossa atualidade globalizada.

Pandora estava viva, era feminina e muito poderosa.
Era bela...
Soberana...
Mãe...

Nós humanos mais gananciosos ainda...
Mais capitalistas...
Mais consumistas...

Pandora compartilhava seus filhos, os protegia.
Dava-lhes vida e tomava...
Dava-lhes ar, água e belezas mágicas.

E minha conexão, quase se expandindo para a ficção da rede energética de pandora foi aos poucos eclipsando a fraqueza insana dos homens de terno de Copenhagen.
Aos poucos me percebo sendo transmitido via winreles para um corpo alienígena e podendo por fim falar em Copenhagen...

Me vi transfigurado e configurado na brilhante metáfora da conexão Avatar.

Eu talvez agora pudesse ser um estranho humano - "pensei viajando" -, em meio a tantos outros humanos estranhos, tentando quem sabe não sei por que cargas d'água, lhes ensinar uma lei natural desconhecida.

Tentando mostrar-lhe o valor da vida e das infinitas interconexões que a mesma pode conceber em busca de uma permanente estratégia evolutiva.

A Malignidade de nossa raça ficou explicita pelo ódio que o poder tecnológico pode conferir a uma forma de vida simples, sustentável e bela como aquela de Pandora.

Nossa história, nosso caminho em busca de sobrevivência não pode continuar sem a percepção sincera de nossa posição no sistema planetário do qual fazemos parte.

Não podemos e não temos o direito de escolher apenas por conta de nossa posição atual.
Precisamos sentir o futuro, sentir a terra, sentir a nossa pandora, feminina, bela e pura...
Precisamos nos conectar ao universo particular dessa mulher que sem piedade estamos estuprando silenciosamente por eras sem fim.

Precisamos nos aconselhar silenciosamente com essa sabedoria de grandeza sem par.

Sem isso seremos o Coronel assassino digladiando com os filhos e os frutos de nossa Terra...
Sem isso não passaremos de mortais tecnologicamente avançados...
Sem isso não seremos mais que bestas robotizadas em busca de alimento, sustentação e poder.

Em Copenhagen pude ver o poder, o capital e a covardia...
Pude ver a falta de compaixão e a falta de percepção...

Em Copenhague não havia um de nós se quer, que com poder ou sem ele tivesse coragem de dizer a verdade... de gritar e levantar suas armas em direção ao horizonte de nossas lembranças ancestrais de uma terra pura.


A sensação que fica, portanto, é que diferentemente do inovador e filosófico Avatar, Copenhagen não passou de uma triste e melancólica historia mal planejada.

Uma aventura de ficção cientifica retrograda e muito, mas muito mal acabada.

Saí do cinema contente com os efeitos, com a belissima lógica filosofica do filme...
Mas também saí revoltado...
Quem sabe o filme tenha um segundo episódio...3º quem sabe...
A verdade é que em copenagen perdemos a chance de reeditar a história ambiental de nosso planeta.
Perdemos a oportunidade de reescrever uma história de constantes ataques ao planeta...

O que fica é apenas uma vaga analogia da forma como os Navís se
relacionavam com o planeta pandora e a forma como nos humanos destruímos lentamente o nosso...

Um Avatar em Copenhagen teria sim feito muita diferença!
E o pior de tudo é saber que o aquecimento global não é uma história de ficção cientifica colorida e bem produzida.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

POLÍTICA CLÁSSICA E AS IDEIAS DE MAQUIAVEL.

A tradicional concepção de política  proposta por Aristóteles, prevê uma visão oriunda da natureza humana  e que através de um continuo aprimoramento leva o indivíduo a  desenvolver um comportamento virtuoso por meio de escolhas que  possibilitem  a realização do bem comum e individual no contexto social grego. Há uma estreita relação entre o comportamento ético e o comportamento político, que inevitavelmente está ligado à moral, pois o ato de perseguir este bem moral, este bem comum, o bem da polis leva o indivíduo  a exercer e deliberar sobre os assuntos da polis. E isso reflete uma igualdade entre aos cidadãos, que a partir da unidade constroem a diversidade, princípio fundamental da vida e da política grega segundo Aristóteles. Nesta perspectiva, contrariando o pressuposto lógico da anterioridade do indivíduo, a polis é anterior a este, e este sem a polis não poderia existir. É a cidade que sustenta conceitualmente o individuo e é por meio dela que o individuo realiza e potencializ…

Esoterismo é uma religião?

Bem, foi esta pergunta que uma grande amiga me fez outro dia, quando por ocasião de uma situação inusitada, ouvíamos na CBN uma entrevista com Teólogo e Professor de filosofia da UFRJ, Leonardo Boff. O repórter da CBN havia lhe perguntando a respeito da reação tardia da igreja católica sobre a onda de casos de pedofilia envolvendo padres católicos.

Durante o papo e falando sobre a problemática da sexualidade humana, na igreja e na família como um todo, acabei pegando um gancho nas belíssimas respostas dada por este grande mestre Leonardo, e lhe apresentei minha posição pessoal sobre o que significa Integração Holística, busca ao transcendente, equilíbrio humano, dualidade e outros tantos conceitos que fazem parte do dicionário de quem, sem dar nome ao bois tem uma busca pessoal baseada na verdadeira acepção da palavra religiosidade.

No vai-e-vem do papo ontológico que travamos, referi-me ao conceito de esoterismo como um caminho de integração e conexão (No sentido de Religare e não de…

O Discurso do Método Terceira parte

O estudo da obra de Descartes, mais precisamente entre a 3ª e 4ª parte do Discurso do Método, conforme proposto pelo professor, iniciou-se com a revisão dos conceitos elaborados pelo autor que culminaram com a sua mais famosa máxima: Penso, Logo Existo. A partir desta perspectiva o mesmo constrói sua linha de raciocínio em busca de uma contínua desconstrução de todo e qualquer obstáculo ao princípio de verdade. O que o autor define como Dúvida Metódica. Começa por meio da implantação de um filtro, onde através de análises profundas e metódicas, estabelece um critério básico como ferramenta de aprimoramento de suas idéias. Esse filtro se refere, portanto à definição da verdade e da falsidade nas coisas. Aquilo que possuir a verdade em sua totalidade, passa no filtro do que pode ser dito como verdade e de outra forma, aquilo, que possuir ou conter mesmo que pequenos traços de falsidade deve ser descartado do contexto das verdades dotadas de clareza e exatidão em sua essência.

Em busca …