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Por que gosto de Pensar?

Pode até parecer, em certo nível de percepção que eu esteja me colocando em uma posição e prepotência. Que pense assim os que não me conhecem... o fato na verdade descortina mais do que mera suposição filosófica de um idealista meio racionalista e um tanto generalista.
De qualquer forma, gosto de pensar, e isso não me torna melhor ou pior...
Diferente talvez de um conjunto de outras tantas percepções que assolam o universo interativo de nossos dias atuais.

Sou parte e todo de coisas dinâmicas, que acontecem a cada batida de meu coração no o e a cada respiração ofegante que dou. Não posso e não tenho condições de me afastar desta realidade sólida e causticante. Nossa interação com o mundo e nossas consecutivas reações a ele não nos deixa opções e alternativas que não aquela que já esteja gravada em nossa visão, distorcida ou não do mundo e das coisas que nos circunda invariavelmente.

Gosto de pensar, mesmo sabendo quem isto me traz responsabilidades que, não obstante, acabam por pesar em meu fardo particular...
Talvez fosse melhor, na angústia de quem não encontra a paz esperada no pensamento, que o silencio que muitos optam fosse meu companheiro inseparável, mas na essência, que em mim reconheço, quase como uma fraqueza, não há espaço para o claustro...

Minhas elucubrações cotidianas não me permitem a “insinceridade” política e tampouco o sarcasmo intelectual. E gostar de pensar, me parece mais obvio que a maioria das fugas que alguns atrevidos conseguem arranjar em meio às tempestuosas crises de desespero e loucura que compromete a percepção de significativa parte de nossa realidade tangível.

Assim, não há obrigatoriedade, há respeito aos objetos de meu pensamento, como estruturas tocáveis e particularmente interessantes. Há um vínculo que longe de se parecer com mistérios Sherlokianos, estão inseridos em minhas parciais construções desse ou daquele universo de interação.

Pensar me traz uma longevidade utópica e ao mesmo tempo me permite inferir sobre coisas que muitas pessoas preferem ignorar como parte intrínseca à sua própria natureza. É aí que nossa sociedade, como um todo beira à loucura.
A base formal e sólida de nossa visão de mundo é relegada a um segundo plano.
A sensibilidade.
A percepção holística e a visão não materialista do mundo são expurgadas por uma metodologia mecanicista assinada por gênios intelectuais e por brilhantes cientistas cartesianos.
Não há nada de errado com estes pensamentos, tampouco com suas construções.
O erro consiste na nossa incapacidade de conceber percepções superiores, sensibilidades externas e universos além de nossas limitações sensoriais.

Não podemos ser apenas parte integrante daquilo que uma superestrutura nos diz para ser.
É nesse sentido que meu pensar elabora uma analogia sincera com a possibilidade de dentro deste contexto, de um pensamento aberto ao inusitado, podermos romper a lógica preestabelecida.
É neste sentido que podemos reformular as concepções humanas a respeito de nós mesmos, de nossas limitações, ambigüidades, fraquezas e antes de qualquer coisa de nossa incondicional posição de criatura capaz de pensar a respeito das entrelinhas subjetivas da infinita rede de possibilidades que nossa imaginação criativa pode nos levar...

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