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Aos Nobres Deputados Distritais

Caros Senhores,
"Representantes da vontade pública no Legislativo local"

Em meio às questões relativas, tanto à problemática da crise mundial quanto dos ajustes e acertos no amplo universo das interações trabalhistas, é que de repente podemos inferir sobre valores e pressupostos que norteiam os interesses públicos, privados e humanos no contexto da luta de braço ininterrupta entre patrão e assalariado, estado de direito e servidor público.
Vossa casa representa valores específicos e foi determinada segundo um conjunto dinâmico de inter-relações que deveriam em tese, atender àqueles que de uma certa forma contribuíram com a composição paritária da CLDF, ou seja, que votaram e fizeram suas escolhas com base em expectativas, necessidades e interesses.
Mas infelizmente, as coisas não funcionam como deveriam, e existe um consenso acerca das idéias e das perspectivas negativas que esta mesma casa vem acumulando ao longo de seus sucessivos mandatos.
No tocante a esse descontentamento geral, vez por outra Vossas Senhorias recebem, quase que por "redenção divina", a chance de impor junto ao estado e aos patrões a vontade daqueles que, quer queiram acreditar ou não, foram os responsáveis pelo estado de coisas, acontecimentos e estruturas políticas que conformaram o contexto legislativo do DF. Suas cadeiras foram instituídas com base em um conjunto de valores humanos, justos e altruístas.
E sabemos, nós professores, os senhores parlamentares e parcela da sociedade, do jogo de interesses, acordos, estratégias que circundam o exercício parlamentar.
Sabemos do jogo de máscaras e insinceridades que permeiam a sobrevivência política de um homem do povo.
Não pensem, que enquanto estamos de giz na mão e coragem no peito, que não percebemos o desenrolar dos atributos e características que vêm pouco a pouco sendo agregadas ao perfil dos profissionais legislativos que nos representam no Distrito Federal e no Brasil.
A tristeza e a perplexidade estão estampadas no rosto de cada educador, que mesmo esperançoso, esperou um afago reconhecimento, uma sutil consideração...
Mas ela não veio...
Veio apenas a decepção...
O que está acontecendo com a coragem dos bravos que outrora faziam parte do contexto da política em nosso país...
O que está acontecendo com a alma daqueles que a tantos conquista com sorrisos rebuscados em épocas eleitoreiras e a tão poucos atende com um sorriso sincero depois de chegar lá...
Na boca das massas, no coração do rebelde, no choro das crianças, no cansaço dos velhos constam apenas as marcas acumuladas do quanto de injustiça a prática legislativa tem realmente trazido para a superestrutura que chamamos de sociedade brasileira.
No jornal, rádio e televisão há torrentes ininterruptas de escândalos, falcatruas e golpes minando com a moral e a credibilidade do senado, da câmara e e finalmente de nossa distrital casa de decepções encomendadas pelo executivo local, representante de um grupo de patrões associados. Nunca pensei que fosse ver uma miniatura do modelo absolutista do mestre Maquiavel ser tão abertamente aplicada ao meu contexto local.

Assim, caros senhores,
Na tentativa de compreender a missão primeira destes ambientes de injustiça instituída por decreto, tenho avaliado o conjunto dos programas, projetos e perspectivas do universo legislativo particular de Brasília, e de forma absolutamente imparcial tenho tentado verificar parte ou todo de projeto, plano ou proposta, que seja significativo, que mude paradigmas, que crie possibilidades melhores e absolutamente reais para as pessoas...
Para as gentes de nosso planalto central...
Para que a justiça também seja instituída por decreto em detrimento da corrupção, do desmantelamento gradual da ética, do desrespeito ao patrimônio econômico público.
Sabeis nobres deputados, da dor e do sofrimento...
Da insatisfação e do descontentamento...
Sabeis... que logo mais estarão do lado de fora...e outros do lado de dentro do mesmo balcão...
E eu sei, que não obstante, logo mais ainda, os senhores estarão de volta.
Eu sei do esquecimento de meus amigos professores, companheiros de giz e pó, no entanto, desertores de uma memória que a mim queira deus nunca falte, por que do contrário, se fôssemos em maior número, talvez alguma mudança nos quadros dessa casa poderíamos fazer.
E neste sentido, eu sei o que vocês fizeram contra nos professores.
Contra nossos sonhos e a favor de interesses obscuros e acordos sombrios fechados com o chefe da corte.
Sei que apesar de não sermos professores de seus filhos, somos professores de meninos e meninas que igualmente aos seus, anseiam por um mundo em que valores humanos possam, na gênese de uma nova estrutura, ter mais significado que a futilidade do universo materialista e superficial que nossa juventude está acostumada e forçada a assimilar.
Eu sei a quantos, e de que forma, posso ensinar o altruísmo, pilar de uma filosofia holística libertadora.
Sei também, que não há como entrar em méritos argumentativos em uma dialética no sentido de “a cobra morde o rabo” , mas há uma possibilidade limite, no ponto de mutação de vossas consciências.
Há uma possibilidade, que brota no limiar de uma nova forma de pensar e agir.
Que surge não mais como já surgiram armas e sangue...
Não mais como já surgiram ideologias pseudo-sociais simbolicamente construídas em nosso meio...
Há uma possibilidade que deve, no justo desejo de ainda se encontrar coerência na alma humana, se fazer presente no contexto de uma política futura, montada e estruturada em uma sólida e consistente identidade com a verdadeira percepção do outro como criatura, e de si mesmo como co-autor do futuro que deseja para si mesmo em consonância com a coletividade, suas necessidades, anseios e perspectivas comuns...
Se há ideologias incrustadas em minhas palavras, é porque cansado estou de me manter na intelectualidade estéril, que pouco tem contribuído com a minha compreensão acerca dos acertos e desacertos provocados pela loucura febril de nossa humanidade mecanicista.
A priori, a intelectualidade pode nos levar ao ceticismo alienado.
Pode nos moldar em um peculiar confinamento ao todo, que a meu ver é construído com base em propósitos não altruístas.
E de todas as palavras, caros senhores, eu dentro de minha parcialidade apaixonada, não encontro nenhuma que lhes falte mais ao dicionário de ações.
E altruísmo é pensar em uma dinâmica humana em que se doe mais do que aquilo que se deseja.
É pensar mais no outro, e de certa forma, mais em algo que melhore, maximize ganhos e minimize perdas para o outro em detrimento de uma ação tipicamente egoísta.
É por isso que nossa luta não é uma luta perdida

Não é uma loucura coletiva...
Não é uma oposição política particular...
Não é uma irresponsabilidade social...

Acreditem ou não... Ganharemos essa luta...
Se não for agora... Logo será diante dos olhos curiosos daqueles que não acreditam na força de um educador...
Não é uma loucura coletiva... Por que apesar de apaixonados pela educação, não nos inebriamos pelo orgulho sombrio que impregna o egoísmo iletrado de tantas outras categorias menos lúcidas.
Não se trata senhores de uma perseguição incondicional aos princípios governamentais deste ou daquele partido, governante ou senhoril.
Quando todos estes, não mais estiverem aqui, ainda existirão professores lutando, em sala de aula, ou na rua, por respeito, dignidade e cumprimento da lei.
Portanto, nossa luta não é uma irresponsabilidade social... Sou de escola pública, e minha fé, minha crença e minha total dedicação a esta luta se inscreve em cada ato, palavra e manifestação que partindo de mim, acerta o mundo, as pessoas, os meninos e meninas como um vetor único de mil dimensões rumo à construção da lógica humana que dia mais dia menos lhes mostrarão o valor da honra e da ética como ferramentas intocáveis para a ação educadora, legislativa e humana em prol de responsabilidade social, da educação de qualidade e da consciência altruísta, fonte de toda a força, vontade e justiça entre os homens.

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