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É possível um Capitalismo Holístico?

De repente, comecei a pensar nas possibilidades inerentes à construção de uma sociedade em que a força do pensamento holístico, tão amplamente difundido no oriente, pudesse vir a elaborar, no seio da sociedade ocidental, um híbrido de salvação, baseado, ao mesmo tempo, na eclipsada vida material de nossos tempos e no valor evolutivo do pensamento holístico.
Por alguns momentos comecei a inferir seriamente a respeito de tal construção...
Meio veio a Quântica abrindo caminho inusitados por entre as partículas subatômicas, e por tabela, demonstrando a existência inegável da unidade energética entre todos os átomos, e por conseqüências unindo todos os seres do universo...
Me veio a biologia abrindo mão do reducionismo herdado pela teoria mecanicista e cartesiana e definindo o corpo humano como uma máquina com partes desconectadas umas das outras...
Me veio uma medicina holística sendo disseminada em meio às massas e aos menos esclarecidos, como forma barata e eficiente de se curar indivíduos por meio de uma análise criteriosa, ampla e completa de todos os seus aspectos...
Me veio uma escola em que a construção do saber se daria a partir dos interesses sinceros e individuais dos alunos...
E assim me vieram muitas outras viagens filosóficas a respeito das possibilidades da inserção deste pensamento em meio ao turbilhonar das mentes capitalizadas da sociedade moderna...
Não obstante, percebi por analogia simples que a coexistência destas possibilidades vão de encontro ao contexto humano...
Entram em choque com os nossos interesses verdadeiramente internos...
Nosso egoísmo palaciano e nossa vontade particular...
Não são os sistemas, portanto, percebi, que moldam a humanidade...
São as pessoas...
São os atos e as mudanças...
São as aberturas de conceitos e idéias baseadas em uma nova foram de pensar e agir...
Com a aceitação de um novo paradigma...
Percebendo nos vãos de nossa pseudo-existência, estruturas de pensamento inerentes à matéria, à alma e ao indivíduo como um todo...
A sistematização de um Capitalismo Holístico teria de ser uma monumental construção de cada individuo, em seu contexto, por meio do entendimento de sua ecologia interna, de sua criatividade quântica e de sua compreensão geral das coisas, dos fenômenos e das interações que nos fazem rir, chorar e cantar.
Teríamos que mudar a essência de nossa forma de pensar, aprender a ser aquilo que nos traz mais dificuldades intelectuais, que nos faça pensar mais do que falar e ser mais do que simplesmente possuir e adquirir no universo puramente material em que estamos atolados inexoravelmente.
Capitalismo Holístico existiria quando acordos de emissão de gases ou poluição planetária fosse definitivamente parte integrante e integrada às pautas diárias dos governos... e das pessoas comuns.
Capitalismo Holístico seria possível se tivéssemos, através da dor ou do sofrimento aprendido a dar valor ao ambiente natural em detrimento dos castelos de pedra, ouro e capital que, como no feudalismo, transformaram nações inteiras em massas desorganizadas de gentes, idéias, e coisas se misturando em uma dança enigmática, triste e, inexplicavelmente, em marcha contínua e definitiva para a autodestruição.
Capitalismo holístico é e será uma utopia filosófica até que no equilíbrio das forças, possamos salvar-nos por meio de atitudes holísticas internas.
Por meio da não aceitação aos reducionismos cartesianos que até então nos tem mantido nas cavernas obscuras e frias do egoísmo alimentado por nossos pecados capitais.

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