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A Elite da América Latina em Festa

No passado eles brigavam como Pit Bulls raivosos diante da diversão alheia patrocinada pelo dinheiro público. Rasgavam o verbo e perdiam as estribeiras diante da euforia imperialista de uma elite comandada pelo Tio Sam. Discutiam, organizavam-se e através da voz de multidões faziam-se ouvir por meio de um vigoroso discurso anti-imperialista.
Contra o Demônio estrangeiro...
Contra o FMI e outras tantas siglas de igual teor...
Lutavam por uma América, por um mundo e por uma sociedade justa e igualitária. Levantavam a bandeira da democracia não liberal, cuspindo fogo e vontade sobre os libertinos neoliberais, em uma sincronia real entre o discurso e uma prática aguerrida e revolucionária.
Eram assim a geração de amantes de uma América Latina livre do poder e da influência do poderoso país “amigo”.
Mas o mundo girou vezes sem contar...
E o mundo mudou como mudaram os discursos...
No alvorecer após dias obscuros, de muita luta e muita disputa ferrenha em torno da cidadania participativa, eles chegaram lá...
Passaram como passam as possibilidades humanas, para o outro lado de um balcão de negociatas e acordos acertados a portas fechadas...
Passaram de uma arquibancada lotada de uma juvenil vontade de mudar o contexto, para o palco luminoso daqueles que preferem o comodismo eletrizado pela vontade de deixar a lógica “do mais forte sobrevive” imperar no universo decadente da teia social e política de nossa amada América livre.
E é aqui, em nosso terreno pátrio, que vieram esbanjar a safra dourada de uma colheita sem par...
Na Costa do Sauípe(BA) eles fecharam a porta para a uma discussão verdadeiramente democrática...
Fecharam as portas para a pobreza cálida e intocável do miserável latino...
Comeram caviar e tomaram seus valiosos champagnes franceses a luz de velas em cristais sem cor, no glamour de uma falsa autoridade concedida pelo sonho de sofredores de uma América sem sonho. Chegaram a representar a revolução do mundo... a simbólica possibilidade de transformar valores antigos e mesclar perspectivas sociais com a moderna infra-estrutura financiada pelo capitalismo moderno.
Mas no paraíso, lhes convidavam os organizadores, a cada vão momento, a uma pausa para o lixo americano. Para um cooffe break recheado de pseudo-ideologias que aos poucos foram aproximando e reconstruindo sorrisos latinos e ricos em torno da beleza, da ostentação e do poder agregado ao luxo da autoridade constituída...
Estavam debatendo ao ar de uma beleza sem fim, a safra do Cariñena , o gosto refinado do caviar, as praias, os hotéis e os corredores apinhados de assessores de nada, assistentes de coisa nenhuma e parentes bem vestidos e bem orientados a aproveitar a chance da viagem dos sonhos de qualquer mortal situado do outro lado do balcão.
Teve patota, brincadeira e xaveco...
Teve o inusitado acontecendo na penumbra, onde uma tal chefe portenha, não podia deixar de elogiar o esplendor paradisíaco escolhido para a grande confraternização dos nobres...
O mestre dos fanfarrões de uma pobre Bolívia decadente, não podia deixar de acender seu precioso charuto cubano em sintonia com a voz, a vontade e a morte de um ex ditador também Pit Bull...
Até o nosso Lulalá...lá se encontrava, no deleite de firmar-se mais uma vez como chefe do poder republicano verde amarelo, fazendo mais uma de suas velhas piadinhas sem graça sobre sapatadas, chulé e sofrimento do pobre.
Sobre o mármore, a taça de cristal e a luminária importada sorriram todos...
Reverenciando na corte os seus poderes homologados por brasões coloridos e as suas benesses confirmadas pela alienação de multidões sem pão.
Discorrendo, sobre a importância de estarem juntos para uma revolução de idéias perdidas no tempo e no espaço de uma Bahia de todos os santos.
E...
Ao som latino-caribenho, fica apenas a indignação de todos que estarão pagando a conta.
Fica a revolta latina, outrora do grupo imenso de farristas, uma impotência legitimada pela falta de informação e de uma educação plena.
Fica uma indiferença óbvia a respeito do pobre e do miserável que mesmo não estando sentados na ponta da rica e sofisticada mesa acabam pagando com suor, trabalho e tristeza a fabulosa festa do luxo social ostentado por uma democrática elite enraizada do outro lado de um balcão sem dono.

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