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Quântica e Relatividade no imaginário humano

Sem me desvencilhar das construções mentais que geralmente me proponho quando por necessidade ou consumo de tempo resolvo caminhar por entre as coloridas armadilhas empacotadas de um Pátio Brasil da vida, observei de relance em uma livraria o título fantástico, porém contrariando minhas expectativas, percebi-o raro em sua essência, apesar da rotulada expressão, “Criatividade Quântica”, que há muito me causa desconfiança.

Privando-me, após esse achado, daquelas já ditas viagens oníricas, resolvi que talvez valesse à pena experimentar, digo folhear tão sugestivo título...

Fantástico...
Criativo...

Sem dúvida, uma proposta de tirar o fôlego daqueles, que conectados possuem a capacidade de perceber os valores da quântica e da própria relatividade na aproximação de informações humanamente factíveis.

Saí do,local, ínfelizmente sem levar o bólido.
Porém me acompanhou, a idéia de quântica e criatividade, durante os passos finais até o estacionamento.
Fiquei pensando sobre o quanto esse conceito influência e dogmatiza parcela significativa das pessoas leigas nas mais diversas áreas do conhecimento humano.

Quantos de nós já não encontramos o verbete relatividade e quântica, incrustados em um determinado contexto, afim ao sentido restrito destas palavras?
Quantas teorias da psicologia quântica existem por aí?
Ou da relatividade Emocional?
Ou do Amor quântico?
Da Teoria da espiritualidade quântica?
Da Relatividade sexual?
Enfim...
Existe uma moda pseudo-inteligente raptando o conceito impensável de quântica e relatividade, para atribuir valores superiores, supe-rinteligentes, super-demais, super-fantásticos e geniais àquilo, que como produto em sí já figura frágil no imaginário conceitual da maioria das pessoas.
Na verdade não é apenas uma moda, é uma estranha manifestação de fraqueza e impotência quanto ao real significado destas populares e inexplicáveis palavras marqueteiras.

Quântica e relatividade fazem parte do imaginário humano e através de seus fundamentos obscuros conseguem estar na boca e na cabeça daqueles que gostam de demonstrar certa familiaridade com a coisa...então vira um tal de quântica pra cá... quântica pra lá, gerando incognoscível estranhamento interno naqueles que sabendo mais que seu interlocutor aprecia a cação ideológica das mágicas pronuncias estilizadas.
O interessante, é que ao ouvir a frase mágica, o sujeito descobre que já sabe tudo sobre quântica e relatividade...
se vê fazendo parte de um seleto grupo de pessoas que fala, entende e ama essas vedetes memoráveis do racionalismo empírico de nossos dias academizados.
E a reprodução no cotidiano leigo se faz espontaneamente, alicerçando uma fortaleza de conhecimentos acerca dos melhores e mais interessantes frases que contenha o néctar da ciência moderna

Eles empolgados:
“ - Rapaz , meu próximo carro vai ter tecnologia quântica”...
“ - Minha esposa vai fazer um tratamento relativístico pra celulite”...
Enquanto Elas orgulhosas:
“ - Nossa amiga... a filha da Giordana vai se casar com um físico quântico (enquanto a outra fica a imaginar o que seria essa coisa de quântica no jovem mancebo a ser enforcado)”

A história vai por aí à fora, se multiplicando e se renovando em uma infinidade de possibilidades semânticas, até que um chato qualquer, talvez até o genro da tal Giordana, revoltado com a megera, resolve perguntar ao fulano de tal que soltou a palavrinha mágica se o mesmo sabe o que realmente tá dizendo.

Silêncio geral na mesa do boteco...

O espertinho fica vermelho engasga e pigarreia, tentando ganhar um precioso tempo que não tem.
O baixinho metido falou, falou...fez gestos e nada...
Apenas ao final de cada frase rebuscada ele acrescentava relatividade quântica ...

Então o cara sabichão recém casado com a filha da mocréia fofoqueira resolver emendar aquele discurso academizado em prol do massacre individual do baixinho e do encantamento coletivo da galera que não entende nada de física teórica, mas se orgulham de ter no meio da turma uma mente tão brilhante.

O conceito de quântica nem de longe pode ser entendido plenamente por alguém que não teve oportunidade ou coragem de visualisar por meio de abstração apenas o universo incomensurável das partículas subatômicas e das intrigantes equações de Shrodinger, Heisenbergg, Bhor, Plank e outros afortunados com uma massa encefálica fora do comum.
Na mais simples das inferências possíveis, a ciência quântica seria de certa fora aquela que numa tentativa racional, busca explicar o contexto das interações de energias, em níveis e sub-níveis energéticos por via de equações que descrevem de certa forma um conjunto de aspectos da realidade subatômica, mas que de alguma forma estão intrinsecamente ligadas às grandes conquistas da indústria eletrônica, medicina, aviação..etc...etc...
Viabiliza teoricamente um modelo cujo átomo é como uma escada, em que as camadas correspondem a diferentes degraus e diferentes níveis energéticos. A energia flui de um degrau para outro, em pacotes chamados de quantuns de energia. A emissão ou absorção de energia pelo átomo, produz fótons, que são estruturas energética na forma luminosa e ora subindo a escada e ora descendo a mesma emitem faixas de luz em um espectro de luz sensível ao olho humano.
Neste processo há a emissão de energia luminosa e conseqüentemente a emissão de faixas definidas de feixes luminosos.
Quântica portanto vem de quantum de energia, e suas descrição se faz por meio de equações quânticas, que explicam boa parte do eventos ocorridos em nosso planeta, no sol e nas estrelas.

Já a relatividade um tanto mais abstrata, desenvolvida por Einstein, se divide em restrita e geral, sendo ambas de uma complexidade matemática tal, que bem poucos físicos modernos a compreendem plenamente.
Seu principio básico é norteado pela construção einsteiniana de espaço-tempo local e espaço tempo geral, definindo para ambas um sistema de coordenadas, que de certa forma não é fixo como as coordenadas do sistema newtoniano.
Esse sistema avança para a conclusão de que não podemos assumir um determinado sistema, sem considerá-lo sobre aspectos diversos ou seja, sem as infinitas possibilidades que sua natureza multidimensional possibilita inferir. Em síntese, nada pode ser realmente definido, sem que sejam considerado certos aspectos de sua orientação no espaço tempo, bem como os referenciais e coordenadas relativas ao ponto ou objeto no espaço.

Da pra se perceber, que falar de relatividade não é um exercício intelectual simples e de fácil abstração. Trata-se de um estrutura que funciona e existe em um universo de abstração distante da grande maioria das pessoas, não obstante, também é parte integrante do conjunto de ferramentas que a ciência moderna utiliza para estabelecer e produzir padrões científicos cada vez mais afinados com os princípios de funcionamento do universo de forma geral...

Nossa falta de intimidade com esse nível de conhecimento não implica portanto em total desconhecimento das leis da natureza que governam a macroestrutura da qual fazemos parte.
Conhecer ou não conhecer os princípios da quântica e da relatividade não altera nosso estado de coisas..
Não nos dá poderes sobre-humanos e tampouco nos torna especiais...

Faz parte do imaginário humano porque a mente racional da atualidade está acostumada com a metodologia cientifica, com o empirismo e com a aplicação do racionalismo como ferramenta de explicação e entendimento do mundo...

Mais importante do que entender essa parafernália acadêmica e racional, é entender os princípios que governam a natureza interna do ser humano....
Suas angustias..
Necessidades e frustrações...
A partir daí será interessante, nas rodas de bar e nas conversas soltas da vida podermos falar de subconsciente, de filosofia holística, de pensamento convergente e em recondicionamento mental...

Podermos falar de emoções, sentimentos e perspectivas não do mundo externo material... mas das coisas, principios e essências fundamentais que governam o ego humano e o condicionam ao pobre padrão mental dessa superestrutura da qual fazemos parte, por sua vez incondicionalmente.

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