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O Imponderável existe

O Imponderável existe!

Outro dia, me vi transcrevendo uma poesia do Mestre Vinicius para a brancura imaculada do papel.
Vi-me transbordando de euforia juvenil ao transportar com rabiscos de tinta aquela monstruosa teia de um sentir sem rumo, que vezes a fio fiquei a repetir em silêncio trechos imponderáveis da arte maior, de amar sem igual...

Por meio da poesia que é mais que poesia apenas (por que para muitos poesia é uma coisa tipo "apenas"), fui capaz de discernir o vácuo comum das coisas de nosso tempo, daquelas que são definitivamente parte do espaço tempo ilimitado de um universo imponderável, que flui vertiginosamente pelos nossos corridos e eletrizados dias sem fim.
Visualizei quase que por meio de flashes reflexos a perspectiva momentânea de inferir a respeito daquilo que não podemos tocar.
Que jamais seremos plenamente capazes de entender em sua essência primeira.

Pensei na lógica...
Na matemática euclidiana, newtoniana e em tantas outras anas...
E não encontrei lá o imponderável...
Também não o encontrei em Nietzsche, Marx ou Freud...

Não estava no emaranhado complexo da superestrutura tecnológica destes mesmos tempos de dias com os mesmos fins.

Não o percebi tampouco nas pessoas “aformigadas” ou nas formigas com personalidade.

Não ...
Não podia achar o imponderável em um mundo de certezas fechadas.
De criaturas prontas e acabadas.
De deuses e semideuses enviados em pacotes pelo correio...
De perspectivas anuladas pela previsível vulnerabilidade do homem pela superficialidade das coisas e ao mesmo tempo pelo seu desprezo ou mergulho profundo nas essências inusitadas...de causas e efeitos não acabados...
Não encontrei o imponderável na mesmice nem na normopatia generalizada...

Encontrei-o vagando..
nos vãos de uma poesia...
No vácuo irrestrito onde a simplicidade reina e onde os sonhos ainda fazem sentido...
Onde a verdade ainda tem valor
E a honra não causa vergonha...

Encontrei-o...
Em pensamentos convictos apenas....
De construções inacabadas...
De paredes sem tijolos...
De taças não cristalizadas ainda pelo meio...
De possibilidades maiores que uma...
De vontades maiores que ter um filho...
plantar uma árvore...
e escrever um livro...
Encontrei-o...lá
Nos confins de mim...
Onde o imponderável reina...
E existe!

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