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Crise Americana ou Humana?

Como tudo que vem do capitalismo selvagem e dele se desenvolve vira moda no contexto planetário, com a crise por ele mesmo desencadeada não poderia ser diferente.
Até ela, que congestiona o bem maior da superestrutura financeira do globo, está na mídia, bombardeando cabeças, bolsas, sacolas e cacholas pelo mundo afora.
Não se trata apenas de uma crise financeira globalizada e virótica onde bancos, banquetes, governos e governinhos se degladiam para conter uma torrente hecatombica de conseqüências criadas pelo gigantesco castelo de carta elaborado para dar sustentáculo ao crescimento vertiginoso da supremacia humana sobre a vida nesse pequeno e achatado planetinha azul.
Trata-se da morte de um dinossauro. Trata-se do desmoronamento de mais uma ilusão mecanicista de nossos tempos.
É a morte de um monstro que de tanto aspirar sonhos, perspectivas e especulações de uma sociedade doentia, agora vomita dentro da lógica capitalista os dividendos de uma era inteira de irrealidades programadas.
Nós criamos este monstro....
Nós o engordamos...
Com o nosso consumismo desenfreado em detrimento de nossos recursos limitados...
Com a compra do carro novo anualmente...
Com a compra da pizza de embalagem fantástica que custa o dobro do produto que a contém.
Com o uso de um copo descartável que dura um minuto em nossas mãos sedentas...
Com a compra de uma casa nova, que refinanciada por um banco bonzinho, sobra uma grana para investir na compra de outra e depois de outra...que refinanciada sobra uma grana pra comprar outro carro...a TV de plasma, o iphone, o notebook, o celular, o rosto novo...o silicone...
Nós criamos este monstro especulando, comprando e alimentando, muitas vezes com suor e pouco senso sua avassaladora vontade de crescer e de inchar bem no estilo “tamagushi” de ser.
Tudo muito eletrônico...
tudo muito irreal...
tudo muito virtual,
e para a maioria das pessoas tudo muito normal.
Não caro leitor...
Não se trata exclusivamente de uma crise no seio da sociedade mais rica e normal do planeta.
É uma crise humana.
De entendimento.
De consciência.
É uma crise de valores não apenas financeiros, mas além disso de valores éticos e culturais...
É uma crise de perspectivas com relação ao universo geral das coisas.
É uma crise religiosa, holística e metafísica.
É uma crise de amor ao planeta, aos jardins e às flores, sejam elas de Hiroshima ou não.
De noções a respeito de uma “obvialidade” mascarada pela mídia, companheira inseparável do inominável monstro do pântano de dólares, euros, yenes e reais apodrecidos.
Não se trata...da falta de grana, papéis ou títulos somente...
Trata-se definitivamente, de uma demonstração clara da incapacidade humana de gerenciar sua existência no contexto deste pequeno e finito pontinho azul descapitalizado.

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