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Ser Difrente

De repente percebi que não é tão simples ser diferente.
Que sem querer ou quase que movido por uma força maior que a própria natureza humana, nos vemos impelidos ao inusitado... ao que não sabemos se tende àquilo que esperamos ou se está direcionado ao nosso completo e complexo universo de coisas desconhecidas.
Ser diferente não é só ter o que o igual não tem...
É possuir algo a mais, extraordinário.
Indo além...
Ser diferente pode significar ter menos, saber menos...
Pode significar ausência...imperfeição...descontinuidade...
E é aí que está o problema das diferenças...
Quando direcionados, de forma objetiva a este ou aquele objetivo além da normalidade comum das pessoas e das idéias, seja em que direção for, frequentemente nos vemos também na contra mão do senso comum, na contra mão do que é postulado como inerente ao nosso comportamento socialmente direcionado.
O dilema é o que fazer com a diferença...
Seja de qual for a sua natureza...
Usar como arma...?
Como poder...?
Como virtude...?
Ou como instrumento de diminuição da nossa auto-imagem refletida cada vez que olhamos pro espelho quebrado e destruído pela nossa falta de visão de valores?
O conflito começa, quando insistimos, e muitas vezes quebramos a cara...
Nos isolamos...
Nós machucamos..
E assim vamos pagando, o preço e a conta por ser diferente.
Por ter convicções e não certezas...
Ou por não ter nenhuma delas( nesse caso estaremos mais perto da normalidade).
Por procurar saber, e não ser o saber enraizado, ideológico, excêntrico.
Nossa briga muitas vezes não é nem com os outros.
É conosco...
É com o nosso medo subjetivo e aterrador daquilo que queremos, acreditamos, mas temos medo.
Muitos desistem e partem para o consolador caminho da já citada normalidade.
Pro clube dos iguais.
Pra turma daqueles que piada sempre tem a mesma graça...
E o uísque o mesmo gosto.
E o beijo a mesma farsa.
Pra turma daqueles que sem querer abriram mão do caminho mais difícil, tenebroso e sombrio, que muitas vezes pode ser, que muitas vezes é ou se torna o caminho do sonhador que cria...
Do buscador que sonha e do bobo que descobre.
Dos diferentes que ainda não escolheram...
Que não tiveram a opção...
A maioria, acaba optando pelo enraizamento categórico de sua diferença.
Enterrando sua chance no subconsciente coletivo que acha que o certo e o comum andam juntos.
Quem sabem, pudessem todos usá-las, como instrumento de transformação da própria alma.
Do próprio ser...
Subjugando um ego corrompido e construindo uma identidade além de sua superficial ou profunda diferença.
Se tudo não passar de um rótulo, uma máscara, muitas vezes ligada ao medo...pode ser mais fácil ainda...
Por que é obvio que não dá pra não ter medo.
Mas também não dá pra não ter coragem de preencher as lacunas construídas pela ideologia da sobrevivência a qualquer custo.

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