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Brasil Nosso de cada dia

Lá vai o Brasil nosso de cada dia...
Camisa amarela, coração ofegante e sonho distante...
Sonho mesclado de uma vontade sincera com uma revolta triste...
Por que nos disseram que poderíamos...que seríamos...
Que no alto do palco faríamos a nossa festa.
E que o amarelo de nosso peito varonil seria visto pelo vermelho, azul, laranja e preto do resto do mundo...
Nos disseram que nosso amarelo é amarelo igual o amarelo brilhante do ouro, que na maioria das vezes só é visto no peito vermelho e no sorriso azul.
Mas somos inocentes buscadores daquilo que não temos condições de ter...e acreditamos no que nos falam nossos irmãos de sangue amarelo.
E corremos, pulamos, nadamos em meio à sopa de cores brilhantes do outro lado do mundo.
Felizes como crianças em festa de Cosme-Damião. Ou seria de halowin tupiniquim?
Cantarolando vamos mostrando nossas fantasias e nossas esperanças.
Vamos pensando que podemos...que nosso amarelo é mais amarelo que o dos outros...
Mas aos poucos vamos perdendo a graça...e vamos perdendo o brilho...
E vamos, devagar, entendo a piada que nos contaram...
Vamos vendo o brilho que era para ser nosso, no coração e no sorriso do outro...
Vamos vendo nosso amarelo apagado pelo vermelho do outro...
E vamos deixando nosso sorriso para trás...
Em meio a tantas cores e tantas bandeiras flamejantes...
E vamos deixando a festa...sem sorriso... sem amarelo...sem brilhante...
Agora não somos mais como crianças felizes...
Somos criaturas de camisa amarela...
Somos filhos de um amarelo apagado pela indiferança...
Ludibriados por nossa cor materna, deixamos a arena encantada e voltamos para o nosso cotidiano triste... de outras crianças...
De outros sonhos e de outras guerras...
Voltamos para o terreno fértil das injustiças...
e para o Brasil brasileiro, nosso de cada dia...

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