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A brancura imaculada do papel

Para mim, escrever é a transposição de um estado de espirito para a brancura imaculada do papel..
É um desapego momentâneo daquilo que mais nos iguala aos outros...
Nos engrandece...nos enobrece e nos deixa com cara e identidade de gente importante...de criatura, que cria e recria com uma simplicidaede majestosa e única...
Quando escreve me sinto limpo... trasfigurado na essência primeira de minha natureza...
Absoluto em meus desvaneios e rico de uma sincera vaidade também momentânea.
Quando escrevo redesenho o mundo que vejo e redistribuo os personagens da fantasia do sonho e da loucura em papéis inversos e lugares desconexos. desvendo caprichos e situações que até Deus duvida...
Duvida por que no fundo a cada instante que me calo... me escondo por de traz de minhas teorias, nos calabouços sombrios de minha vontade de escrever e no meu desespero de saber que preciso falar, gritar e soltar meus cachorros diários no universo "blogmático" que construímos com nossas aventuras literárias, cacerárias, temerárias...
Quando não quero não escrevo.
Quando não escrevo, fico devendo pram mim mesmo um pouco mais daquilo que deixei escondido no vão de minhas idéias, que ora repletas de uma esmerada incoerência e vez por outra, carregadas de uma vontade delirante de nunca mais ficar calado.
Sou assim...
Apesar do silêncio que cultuo e do amor apegado que tenho pelo vida...
pelas gentes...
pelas flores...
e pelas letras, cúmplices veladas do sonhador que sou...
Do homem que busco ser...
e da criança que serei sempre...

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