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Amor e pão

Nosso planeta é um planeta faminto.
Corremos, trabalhamos, nos subjugamos e nos libertamos...
E ainda temos fome...
A fome em suas várias e chocantes facetas...
Na ânsia e na tristeza física de um corpo cansado...
Ou na tristeza espiritual de uma alma sem direção.
Somos famintos de valores
De compaixão...
De amor ao próximo ... que tem uma fome mais doída...
E que às vezes nos apiedamos na forma capitalizada de uma gorjeta apenas...
Se podemos matar a fome do pão e da alma.
Na forma de uma prato e um abraço...
De um olhar e um pedaço...
Pedaço de pão, de comida... pedaço de nós.
E se pão e amor têm valores distintos, andam juntos.
Porque de valores distintos, juntos são capazes de produzir lágrimas e contentamentos além de nossa compreensão.
São armas contra o desamor a injustiça e o caos humanitário.
São ferramentas de construção e solidificação de um mundo melhor.
Aqueles portanto que possuem a fome do pão, carecem dos que tem fomes mais profundas...
Piores?
Melhores?
Não sei...
A fome que mata o corpo e irmã daquela que consome a alma...
E ambas... trabalham no limiar da fraqueza... da dor e da desesperança.
Mas famintos ou não...
De palavras, alimentos ou amor...
Somos irmãos e companheiros nessa nau planetária
Em busca de redenção, superação e paz
Em busca do outro, que diferente sofre...
E do outro que igual caminha...
Somos irmão na fome, no amor e na dor.

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