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"O Circo"

Uma Teoria Sobre o Circo Tupiniquim

Em tempo...
É preciso contextualizar "O Circo"?
Acho que não... Já faz algum tempo mas todos sabem da História do político corrupto absolvido por seus iguais e já sabem também que isso já é praxe no país tupiniquim...
Lembram de Renan Calheiros?
Com ele não foi diferente.
Ele é apenas mais um personagem circense no colorido sombrio de nossa realidade política. Assim que soube de sua absolvição na época (não na revista), eu quis ter uma bandeira verde-amarela nas mãos para colocar fogo...
Refleti um pouco e vi que isso não seria uma boa idéia...
Talvez a fumaça não chamasse tanta atenção, mas ia acabar contribuindo um pouco mais com o aquecimento global.
E isso para quem tem consciência não seria um sacrilégio?
De qualquer forma vai aí meu repúdio...

Começou quando se esperava que começasse.
Com hora marcada e espetáculo combinado.
Multidão alegre, painel colorido e tudo mais.
Todos aplaudindo generosamente o picadeiro fantástico.
O espetáculo começou quando se esperava a redenção dos palhaços, mas a multidão glamurosa viu o esmagamento da esperança. Viu quando silenciosamente cada um dos palhaços com uma voz baixinha, meio que vacilante e assustada, mas silenciosamente velada e de certa forma convicta, riu da multidão alegre.
Era como se os papéis se invertessem na teia circense das inverdades e farsas planejadas.
Era como se de repente em meio a luzes, holofotes e truques, muitas vezes baratos, a multidão alegre passasse a dar um espetáculo também fantástico de apatia e consentimento. De fraqueza e concordância. Mas o pipocar das vozes aclamadas e chorosas nos microfones também medrosos
faziam os palhaços, donos reais do espetáculo, rirem escandalosamente da mesma multidão alegre, que afinal havia pago, com sangue, suor e dor o direito de ver seus sonhos serem arrastados pela carruagem colorida e também brilhante dos palhaços no picadeiro verde-amarelo.
Um a um, os palhaços engomados, pronunciavam “sins tímidos”, e “nãos debochados”, alheios e ao mesmo tempo carregados de uma disfarçada vontade de gargalhar aquela gente estranha, maltrapilha e festeira. Aquele gente toda, batendo palmas, assistindo e pagando a conta.
Rindo e chorando...
Aquela gente se olhando umas às outras na esperança de encontrar em alguém... ou talvez até em si mesmo um outro grito pra dar.
Um outro lamento pra soltar...
Um outro espetáculo pra ver...
Então, este outro qualquer, não vem, nem mesmo pra se por a culpa.
Este outro qualquer não existe.
E o solitário alegre volta ao coro de ostentação e amor , também velado, aos palhaços do picadeiro verde-amarelo.
E então o espetáculo termina.
E o público não percebe...
O espetáculo termina.
E o público não vê...
O espetáculo termina.
E os palhaços aplaudem
Enquanto a cortina da “democracia” cai sobre todos, em um colorido esplendoroso...
Com um glamour sufocante...
De ternos suados e maquiagens borradas.
Sobre o silêncio de aplausos já fracos e de risinhos sem-graça.
Todos vão saindo... para seus palácios estaduais...
Enquanto o Espetáculo termina.
E o público não vê...
Apesar do brilho...
E dos espelhos...
que os palhaços não estão no picadeiro...
verde-amarelo-azul e branco nosso de cada dia.

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