Terça-feira, 26 de Agosto de 2008

Missão Impossível no Senado Federal

Existe um complicado conjunto de interesses e questões obscuras envolvendo setores da Polícia Federal e o primeiro escalão do Senado Federal.
Tudo é um assombroso carrossel de poder e intrigas em um nível que deixaria até mesmo a rainha dos best-seller policiais, Agatha Christie, de cabelo em pé.
Estamos vivendo no quintal da República um misto de crime, traição, ameaça e suspense regados com uma adocicada dose de dinheiro público envolvido na trama fantástica de corrupção, poder e polícia.

De corrupção, por um lado porque o enredo se faz de negociatas partidárias, mandos e desmandos executivos e até de uma ativa encenação da Justiça Federal em um emaranhado de Cenas de nossa política explicita, onde figuras poderosas e estreladas do serviço público estão envolvidas até o último ato, atuando magistralmente no palco público de um teatro fantasmagórico e perigoso.

De poder, por outro lado, por que em algum ponto linear dessa trama cinematográfica figuram criaturas estilizadas, que através de suas posições na rede de intrigas de nossa cadeia republicana, mandam, de certa forma que pessoas especializadas, disfarçadas, rápidas e não tão eficientes façam uma visita secreta, silenciosa e noturna, a um ambiente Federal, com objetivos de fazer inveja a qualquer 007, infiltrando no ninho de ovos de ouro choco, e roubando "quem sabe lá deus o que? em papéis e documentos, em uma plástica Missão Impossível mal cumprida...ops
Mal cumprida...pois é...
Como em toda boa trama...
a sempre a tensão...
a sempre um erro...
O alarme sempre toca e o vilão é "quase" sempre é preso por um herói de plantão.
E ele estava lá...
Em algum lugar nos obscuros labirintos do poder tupiniquim estava Marinalvo...
O segurança. Honesto...trabalhador e curioso...

E é nesse ato que a coisa virou caso de polícia.
Interrogado sobre a silenciosa incursão em um escritório do Anexo I do Senado Federal, o segurança Marinalvo, confirmou...
"Houve sim uma entrada fora do expediente normal naquele escritório..."
"Levaram sim uma van carregada de papéis e documentos..."
"Estavam sim, assustados e preocupados...olhando para os lados..."
"E o alarme tocou sim...eu estava lá e ouvi..."

A coisa ficou ainda mais tipo tela quente, quando do topo da trama alguém ligou para o pobre Marinalvo e com uma voz de Darth Vader avisou-o de que a partir daquele momento ele seria um arquivo morto...
Tão morto quanto os papéis e documentos que foram roubados...

Sendo ou não enredo de corrupção, poder e polícia, de algum gabinete oficial superior onde repousam as estrelas de primeira grandeza saiu um comunicado negando que estes Atos tivessem realmente acontecido no cenário em questão.
Negando que alguém tivesse entrado no prédio...
Negando que um alarme tivesse tocado...
Negando...
Negando a van...
Negando os documentos...
E negando até a história de arquivo morto - Pobre Marinalvo
Só não negaram que ele...Marinalvo...trabalha lá...

E foi negando toda essa história sherlockiana, que nos mostraram que no rol das trapalhadas dos artistas, heróis, mocinhos e vilões, estamos nós eleitores, contribuintes, protagonistas palhaços e caricaturados de um Brasil que é uma gigantesca e suja comédia sem graça.

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